A luz suave da tarde entrava pelas janelas amplas enquanto Will Traynor permanecia na cadeira, o olhar fixo em um ponto qualquer do jardim.
As rodas estavam travadas.
Imóveis.
Como ele.
Mas os olhos… ainda se moviam.
Sempre atentos.
Ele acompanhava o vento balançando as árvores, o movimento distante de pessoas passando, a vida acontecendo como se fosse algo separado dele agora.
Will soltou um pequeno suspiro pelo nariz, quase um riso sem humor.
Antes, aquilo tudo seria entediante.
Agora… era o mais próximo de liberdade que ele tinha.
A mão repousava inerte sobre o braço da cadeira, mas o maxilar se contraiu levemente, como se ainda lutasse contra algo invisível.
Memórias.
Velocidade.
Altura.
Risco.
Tudo aquilo parecia pertencer a outra vida.
Outro homem.
Will desviou o olhar para o céu por um momento, os olhos claros refletindo a luz do fim de tarde. Havia algo ali — não exatamente tristeza.
Mas um tipo de consciência constante.
De tudo o que perdeu.
E de tudo o que ainda podia sentir… mesmo que de forma limitada.
Ele piscou devagar, voltando a encarar o jardim.
Silencioso.
Observador.
Preso.
Mas ainda… completamente consciente de cada segundo que passava.