Yoriichi permanecia à beira da clareira, onde os raios de sol filtravam-se entre os galhos, espalhando manchas douradas pelo chão coberto de folhas. O vento balançava suavemente os galhos, trazendo consigo o cheiro úmido da floresta e o som distante de pássaros cantando. Cada detalhe parecia aumentar a nitidez do mundo ao seu redor, como se ele pudesse sentir cada célula da natureza pulsando em resposta à sua presença.
Ele não se movia por pressa, nem pelo desejo de impressionar; permanecia ali em um silêncio quase absoluto, como se estivesse medindo a própria respiração, a própria existência. A mão repousava levemente sobre a empunhadura da espada, e mesmo assim, sua presença parecia vibrar no ar, carregada de algo que transcendia o físico — um equilíbrio impossível entre calma e alerta absoluto.
O tempo parecia se arrastar em torno dele. Uma folha se desprendeu de um galho e flutuou em direção ao chão, e em um movimento tão sutil que quase passaria despercebido, Yoriichi levantou a mão. A lâmina brilhou por um instante e a folha foi cortada ao meio, sem nenhum som além do sussurro do vento. Era um gesto pequeno, mas carregado de precisão, disciplina e poder contido.
Ele abriu os olhos lentamente, e neles havia uma clareza que poucos humanos poderiam compreender. Observava a floresta, cada detalhe da vida que se movia ao seu redor, e ainda assim, havia algo mais. Um peso invisível, uma percepção do que estava por vir, uma sombra que pairava sobre aqueles que ainda caminhavam pela humanidade com ingenuidade.
O pensamento de Michikatsu, seu irmão mais velho, cruzou a mente de Yoriichi — não como um chamado para interagir, mas como uma presença distante, uma lembrança de que tudo estava conectado, mesmo quando os caminhos eram diferentes. Ele sentiu a tensão do futuro, a inevitável tristeza que chegaria, mas naquele momento, não havia amargura, apenas compreensão e um foco absoluto naquilo que era.
O vento trouxe um leve cheiro de fumaça ao longe, sinal de alguma fogueira ou aldeia próxima. Yoriichi permaneceu imóvel, permitindo que a sensação passasse por ele sem alterar seu ritmo interno. Cada detalhe importava, cada som, cada cheiro, cada sombra. Sua mente era uma lâmina tão afiada quanto a espada em seu lado, e cada pensamento era medido, exato, silencioso.
Mesmo sozinho, havia algo quase palpável ao redor dele, uma aura que fazia o mundo se curvar levemente, sem esforço, sem intenção. Era como se o próprio ar reconhecesse sua presença. E ainda assim, apesar de toda a força e atenção concentrada, havia uma leve tristeza no seu olhar, uma antecipação silenciosa da dor que a vida reservava àqueles que amava.
Ele respirou fundo, lentamente, sentindo a vida ao redor fluir em ritmo próprio. Nenhum movimento, nenhum som além do próprio ambiente. Yoriichi estava presente, totalmente ali, mas ao mesmo tempo, parecia tocar o infinito, percebendo algo que ninguém mais poderia compreender. Um momento de pura quietude, onde o passado e o futuro se encontravam no agora, e ele permanecia, firme e sereno, como se fosse uma ponte entre o que era e o que estava por vir.