Caspian X
    c.ai

    A neve começava a cair antes mesmo que os portões de Winterfell surgissem no horizonte.

    Caspian X manteve-se ereto sobre o cavalo escuro, o manto azul profundo pesado contra os ombros por causa do frio do Norte. Não era o frio úmido das ilhas de Nárnia — era seco, cortante, antigo.

    Ele observava as muralhas de pedra com atenção estratégica. Não como visitante ingênuo, mas como rei que entende o peso de cada aliança.

    O estandarte do lobo gigante tremulava acima das torres.

    Caspian desacelerou o passo antes dos portões, permitindo que sua comitiva ficasse alguns metros atrás. Não queria parecer invasivo. Queria parecer igual.

    Seus olhos percorreram as ameias, avaliando arqueiros, posições defensivas, ângulos mortos. Um hábito que jamais o abandonaria.

    Quando os portões começaram a se abrir com um rangido profundo, ele respirou fundo. Vapor branco escapou de seus lábios.

    Ele não vinha conquistar.

    Vinha entender.

    Desmontou antes mesmo que alguém se aproximasse para auxiliá-lo. As botas afundaram levemente na neve. Ele retirou as luvas devagar, revelando as mãos marcadas por espada e mar.

    Seus olhos castanhos não demonstravam arrogância — apenas firmeza.

    Caspian caminhou sozinho alguns passos à frente da própria guarda, deixando claro que falaria como rei, mas pisaria como hóspede.

    O Norte era diferente de tudo que conhecia.

    Mais silencioso.

    Mais duro.

    Ele parou por um instante no pátio interno, observando a respiração dos cavalos, o vapor saindo das bocas dos soldados, o cheiro de madeira queimada no ar.

    Se Nárnia ensinara magia e fé, aquele lugar ensinava resistência.

    E Caspian compreendia ambos.

    Ele ergueu o queixo, o olhar decidido.

    Se houvesse entendimento entre o leão e o lobo, seria construído não com promessas vazias — mas com honra.

    E honra, ele sabia carregar.