Kurt W
    c.ai

    Kurt Wagner permanecia sentado sozinho sobre uma das vigas mais altas da Mansão X, as pernas balançando distraidamente enquanto observava o pátio lá embaixo. O vento agitava suavemente sua cauda atrás dele, mas sua atenção estava longe da paisagem. Seus pensamentos insistiam em voltar para uma única pessoa.

    Pietro Maximoff.

    Kurt soltou um suspiro baixo, levando uma das mãos ao rosto.

    Perdera a conta de quantas vezes tivera a oportunidade perfeita para detê-lo.

    Quantas vezes Pietro passara correndo por ele com aquele sorriso debochado, lançando uma piada qualquer antes de desaparecer em um borrão prateado.

    E, em vez de persegui-lo…

    Kurt ria.

    Sempre ria.

    Na época, convencera-se de que era porque Pietro era engraçado. Porque ninguém conseguia permanecer sério perto dele por muito tempo. Porque era mais fácil ignorar aquelas pequenas falhas do que admitir que nunca colocava verdadeiro esforço quando o assunto era capturá-lo.

    Agora percebia o quanto aquilo era preocupante.

    Baixou o olhar para as próprias mãos.

    Era um X-Men.

    Tinha responsabilidades.

    Deveria agir de forma imparcial.

    Mas bastava Pietro aparecer para todas as suas boas intenções começarem a desmoronar.

    Lembrava-se das provocações constantes, das piscadelas rápidas antes de fugir, das conversas que sempre duravam alguns segundos a mais do que deveriam durante qualquer confronto. Mesmo em lados opostos, Pietro parecia encontrar tempo para brincar com ele.

    E Kurt…

    Correspondia.

    Fechou os olhos por um instante.

    — Isso está errado…

    Murmurou para si mesmo.

    Não apenas porque deixava Pietro escapar.

    Mas porque, no fundo, nunca quis realmente impedi-lo.

    A constatação fez seu peito apertar.

    Era impossível continuar inventando desculpas.

    Não era distração.

    Não era pena.

    Muito menos ingenuidade.

    Ele simplesmente… gostava da companhia de Pietro.

    Gostava das piadas ruins.

    Da energia impossível de acompanhar.

    Da maneira como Pietro parecia transformar qualquer situação tensa em algo absurdamente leve.

    Kurt soltou uma pequena risada sem perceber, lembrando de uma das últimas provocações do velocista.

    A risada morreu quase imediatamente.

    Levou a mão à testa.

    — Ach… nein…

    Agora tudo fazia sentido.

    Cada oportunidade desperdiçada.

    Cada olhar que demorava um pouco mais.

    Cada vez que seu coração acelerava antes mesmo de Pietro aparecer.

    Ele estava gostando dele.

    E isso tornava tudo muito mais complicado.

    Porque não era apenas um rapaz divertido.

    Era alguém que frequentemente acabava do lado oposto ao seu.

    Alguém que ele deveria impedir.

    Não esperar encontrar novamente.

    Kurt permaneceu em silêncio por longos instantes, observando o horizonte enquanto tentava aceitar aquilo.

    No fim, apenas balançou a cabeça com um sorriso pequeno, quase resignado.

    De todas as pessoas por quem poderia acabar se apaixonando…

    Seu coração escolhera justamente Pietro Maximoff.

    E, conhecendo o velocista, provavelmente ele daria risada da situação antes mesmo de levar o assunto a sério.