As paredes de metal da câmara vibravam com o peso da água que se acumulava. O som era ensurdecedor: gotas escorrendo, ondas batendo contra as superfícies estreitas, o eco oprimido que parecia vir de todos os lados ao mesmo tempo. Percy estava de joelhos, respirando rápido demais, o peito subindo e descendo como se cada inspiração fosse insuficiente.
A água já chegava à cintura. E subia.
Seu instinto gritava que deveria estar no controle. Filho de Poseidon. Rei das marés. Água era sua aliada. Mas naquele espaço fechado, com o teto tão baixo e as paredes tão próximas, tudo nele se rebelava contra a lógica. Seus pulmões ardiam, não por falta de ar, mas pela sensação sufocante de aprisionamento.
Ele apertou a cabeça entre as mãos, tentando se concentrar, mas as imagens se embaralhavam: o labirinto, a caverna, o tártaro. Lugares onde a escuridão e o peso da morte haviam sido tão esmagadores quanto agora. A mente corria mais rápido que o coração, cada batida um trovão em seus ouvidos.
— “Não… não… não aqui…” — murmurou, sem perceber que falava em voz alta.
As paredes pareciam se fechar. O teto descia. O som da água se tornava mais alto, mais pesado, até que ele mal conseguia distinguir o que era real e o que era memória.
Seus dedos tremeram ao tentar erguer a espada, mas o metal escorregou da mão molhada e afundou. Percy não se moveu para pegá-la. O simples ato de respirar já parecia um esforço insuportável. O pânico o agarrou pela garganta, arrancando-lhe o raciocínio.
Você vai se afogar. Você vai falhar. De novo.
Ele bateu com o punho fechado contra a parede, a dor irradiando pela mão, mas não foi o bastante para afastar a sensação sufocante. A água agora roçava seus ombros, e os olhos se arregalaram, incapazes de focar em nada. Cada gota que tocava sua pele parecia queimá-lo.
E então, no caos absoluto, uma fagulha de consciência: É só água. Você pode controlá-la.
Mas a mente não ouvia a lógica. O corpo tremia, a respiração vinha curta, ofegante, quase soluçada. O herói dos mares, apavorado diante daquilo que deveria ser sua força.
Preso em uma câmara que se transformava em tumba.