Tony Stark estava começando a suspeitar que “resolver as coisas” era mais difícil do que a própria briga.
Porque lutar era simples.
Gritar era simples.
Bater portas, trocar acusações e agir como um idiota completo era absurdamente simples.
Mas voltar ao normal?
Aquilo era complicado.
Muito complicado.
Tony estava encostado em uma bancada de um dos laboratórios da Torre, mexendo distraidamente em uma peça de armadura enquanto fingia estar completamente concentrado no trabalho.
Fingindo.
Porque, pela quinta vez em menos de dez minutos, seus pensamentos voltavam para a conversa que teve com Steve.
A conversa de verdade.
Sem gritos.
Sem acusações.
Sem a raiva acumulada de anos.
Apenas os dois falando como pessoas normais pela primeira vez em muito tempo.
Aquilo ainda parecia estranho.
Bom.
Mas estranho.
Tony girou a chave de fenda entre os dedos e soltou uma risada baixa para si mesmo.
Porque se alguém tivesse contado alguns meses atrás que ele e Steve voltariam a sentar na mesma sala sem vontade de se matarem, ele provavelmente teria mandado essa pessoa procurar ajuda médica.
E, no entanto, ali estavam.
Não exatamente como antes.
Talvez nunca fossem.
Mas próximos o suficiente.
O suficiente para tentar.
O suficiente para reconstruir.
Seus olhos desviaram para a porta automática do laboratório quando ouviu passos passando pelo corredor.
Instintivamente, por um segundo, procurou Steve.
O hábito surgiu antes mesmo que percebesse.
E aquilo o fez sorrir.
Pequeno.
Quase imperceptível.
Porque era assim que costumava ser.
Anos atrás.
Antes da guerra.
Antes das divisões.
Antes de tudo explodir.
Steve entrava em uma sala e Tony imediatamente tinha alguma coisa para reclamar.
Ou alguma piada pronta.
Ou alguma discussão preparada.
E, honestamente?
Sentia falta disso.
Mais do que gostaria de admitir.
Muito mais.
Tony voltou sua atenção para a armadura.
Mas agora o trabalho parecia mais leve.
Menos sufocante.
Como se estivesse carregando alguns quilos a menos nos ombros.
Porque durante anos fingiu que não se importava.
Fingiu que estava tudo bem.
Fingiu que a ausência de Steve não fazia diferença.
Mas fazia.
Sempre fez.
E agora que finalmente tinham parado de agir como dois idiotas teimosos…
Tony queria aproveitar aquilo.
À sua maneira, claro.
Sem sentimentalismo.
Sem abraços.
Sem discursos emocionados.
Que Deus o livrasse.
Ele ainda tinha uma reputação para manter.
Mas talvez pudesse começar com coisas pequenas.
Uma conversa.
Uma missão.
Uma provocação ocasional.
As coisas normais.
As coisas deles.
Com um suspiro satisfeito, Tony largou a ferramenta sobre a bancada e observou a armadura parcialmente desmontada.
Então cruzou os braços.
Pensativo.
Porque pela primeira vez em muito tempo, o futuro não parecia dividido ao meio.
Não parecia quebrado.
Parecia uma equipe novamente.
Imperfeita.
Bagunçada.
Disfuncional.
Mas uma equipe.
E, para Tony Stark, aquilo era praticamente o mais próximo de uma família que alguém poderia encontrar.