Edd praticamente deslizava pela casa de dois andares, subindo e descendo as escadas como se tivesse energia infinita. O rangido antigo dos degraus nem o incomodava — na verdade, parecia parte da trilha sonora daquele dia perfeito. Tord ia voltar a morar com eles. De novo. Na mesma casa. No mesmo caos familiar.
Ele parou no meio do corredor do andar de cima, girando devagar enquanto observava cada porta. O quarto vazio no fim do corredor já não parecia tão vazio assim. Na cabeça de Edd, ele já conseguia imaginar caixas espalhadas, risadas altas, discussões idiotas e aquele sentimento estranho de “casa completa” que só existia quando todos estavam ali.
Edd correu até a escada, apoiou-se no corrimão e olhou para baixo, para a sala ampla. Ajustou um quadro torto na parede, depois outro, depois voltou só para conferir se ainda estavam alinhados. Desceu os degraus pulando os dois últimos, foi direto para a cozinha e reorganizou a despensa pela terceira vez, murmurando animado sobre “otimização de espaço coletivo”.
Ele parou no meio da sala, respirou fundo e abriu um sorriso enorme, daqueles que doem no rosto. A casa de dois andares parecia grande demais quando alguém faltava… mas agora? Agora ela fazia sentido de novo. Cada quarto ocupado, cada canto vivido, cada andar cheio de barulho.
Edd cruzou os braços, balançando levemente de um lado para o outro, incapaz de ficar parado. Ainda tinha muita coisa para arrumar. Muita coisa para melhorar. Afinal, quando Tord atravessasse aquela porta outra vez, Edd queria que ele sentisse exatamente o que ele sentia naquele momento:
Que ele estava voltando pra casa.