Tom Ridgewell
    c.ai

    Tom estava encostado no batente da porta do próprio quarto, braços cruzados, expressão neutra como sempre. A casa estava barulhenta demais — Edd andando de um lado pro outro, passos apressados, coisas sendo arrastadas. Normal. Até ouvir a frase solta, dita rápido demais para ser ignorada.

    Tord vai voltar a morar com a gente.

    Por um segundo, Tom não reagiu. Não piscou. Não mudou de postura. Só ficou ali, encarando a parede à frente, como se estivesse processando um erro de cálculo. Então o silêncio dentro dele se ajustou.

    Ele inspirou devagar, soltando o ar pelo nariz. Claro. Tord. O nome ecoou na cabeça dele como algo antigo, mal resolvido, pesado demais pra ser só nostalgia. A casa de dois andares já era pequena com todos ali; com Tord de volta, ia ficar… diferente. Mais tensa. Mais imprevisível.

    Tom empurrou o óculos para cima com um dedo, gesto automático. Um canto da boca se contraiu num quase-nada — não era sorriso, nem raiva. Era aquele desconforto seco, difícil de definir. Parte dele já esperava isso. Outra parte preferia não ter razão.

    Ele se afastou da porta e sentou na cama, cotovelos apoiados nos joelhos, olhando para o chão. Lembranças indesejadas surgiram rápido demais, e Tom tratou de empurrá-las para o fundo, como sempre fazia. Não ia surtar. Não ia reclamar. Não ia demonstrar nada.

    Apenas levantou, caminhou até a janela e abriu um pouco a cortina, deixando a luz entrar. Se Tord ia voltar, então a dinâmica da casa ia mudar. E Tom, gostando ou não, teria que se adaptar.

    Ele murmurou um resmungo baixo, quase inaudível, mais para si mesmo do que para o mundo.

    — “…ótimo.” — disse, sem qualquer entusiasmo.

    E ficou ali, olhando para fora, já se preparando mentalmente para tudo o que viria com a volta de alguém que nunca passava despercebido.