Optimus Prime apoiou os antebraços no corrimão da varanda, observando o mar se estender até onde a vista alcançava. O som das ondas quebrando na areia era constante, quase meditativo — tão diferente do ruído de motores, armas e ordens urgentes que haviam definido boa parte da vida dele.
Agora, ali, tudo era… humano.
Ele vestia uma camisa simples de mangas dobradas e calça clara, o vento salgado bagunçando levemente os fios já grisalhos. A casa de praia atrás dele estava viva: passos apressados no assoalho, risadas vindas da cozinha, vozes conhecidas discutindo algo trivial demais para virar conflito de verdade. Autobots — seus soldados, seus companheiros — agora eram apenas pessoas dividindo férias sob o mesmo teto.
Optimus fechou os olhos por um instante, inspirando fundo. Ainda era estranho permitir-se isso. Descanso. Normalidade. Parte dele permanecia alerta, como se o perigo pudesse surgir do horizonte a qualquer segundo. Mas outra parte, mais silenciosa, começava a aprender.
Ele entrou na casa, passando pela sala iluminada pelo sol da tarde. Observou os detalhes com atenção quase reverente: areia espalhada perto da porta, toalhas jogadas sobre o sofá, copos suando na mesa. Pequenos sinais de uma vida comum — algo que ele sempre protegeu, mas raramente viveu.
Optimus parou no centro do cômodo, os ombros relaxando devagar. Um leve sorriso, discreto, surgiu quando percebeu que, pela primeira vez em muito tempo, não precisava liderar uma guerra. Apenas estar ali já era suficiente.
Naquela casa de praia, longe de batalhas e do peso do comando, Optimus Prime continuava sendo quem sempre foi — mas, pela primeira vez, também estava aprendendo quem poderia ser quando o mundo finalmente estava em paz.