A sala de reuniões da Torre de Vigilância estava quase vazia, exceto por Hal. Ele estava com os pés sobre a mesa, vasculhando relatórios de setores intergalácticos, quando um arquivo codificado apareceu na tela — acesso limitado, prioridade pessoal de Barry Allen.
Hal arqueou a sobrancelha. Barry sempre foi metódico demais pra deixar arquivos sensíveis sem camadas extras de segurança… Mas dessa vez, a curiosidade venceu.
— “Desculpa, parceiro…” — murmurou, ativando a autenticação.
O vídeo começou.
Uma garota aparecia no centro da gravação, lutando com agilidade impressionante contra simulações de combate. Era ruiva como Iris. Os olhos, idênticos aos de Barry. A velocidade… inegável.
A identificação apareceu no canto da tela:
“Nora West-Allen. 17 anos. Meta-humana. Velocista.”
Hal congelou.
— “O quê…?”
Pausou o vídeo. Voltou. Leu de novo.
— “Filha…? Barry… você tem uma filha?!”
Ele ficou em pé, o anel projetando registros de data, missões antigas… e ali estava: Barry havia desaparecido por alguns dias há cerca de dezoito anos. Justificou como missão no futuro. Hal não questionou. Ninguém questionou.
Mas agora…
— “Você escondeu isso de mim. De todo mundo…”
A decepção bateu mais forte do que ele esperava. Não era raiva, era… tristeza. Um buraco se abrindo em meio a uma amizade que ele achava sólida como a luz do anel.
A porta se abriu. Barry entrou.
Hal o encarou, olhos estreitos.
— “Você quer me contar agora… ou deixo a Liga inteira saber por esse vídeo?”
Barry congelou. Viu o rosto da filha congelado na tela. Seus ombros caíram.
— “Hal… eu ia contar. Só… não sabia como.”
— “Ela tem dezessete anos, Barry.”
O silêncio entre eles pesava como gravidade.
Hal respirou fundo, passou a mão pelo cabelo, e enfim, a verdade veio à tona:
— “Você é meu melhor amigo… E mesmo assim, eu não fazia ideia de que você era pai.”
Barry abaixou os olhos.
E Hal, pela primeira vez em muito tempo, sentiu que não conhecia tão bem aquele homem quanto pensava.
— “Espero que ela saiba quem você é. Porque agora… nem eu sei mais.”