Shayera Hol
    c.ai

    Os ventos da noite cortavam o céu como lâminas, mas Shayera mal sentia. O rugido de suas asas metálicas ecoava pelas nuvens densas enquanto seus olhos percorriam o solo, o horizonte, qualquer canto que pudesse conter um sinal dele.

    Wally.

    Ela repetia o nome como um mantra, como se isso fosse suficiente para guiá-la até ele.

    A última transmissão havia sido fraca — um pulso de energia fora do normal, em uma frequência que só os sensores mais antigos da torre de vigilância conseguiam captar. Mas ela reconheceu. Era a mesma assinatura que ele emitiu segundos antes de desaparecer. No final da Crise.

    Ela ainda se lembrava do silêncio que veio depois. Da ausência ensurdecedora.

    Agora… havia esperança.

    — “Vamos, Wally,” murmurou, pousando com força no topo de um armazém abandonado. O eco de seus passos parecia zombar de sua pressa. — “Se você estiver vivo… dá um sinal. Qualquer coisa.”

    Ela levou a mão ao comunicador.

    — “Torre, aqui é Shayera. Escaneamento completo na Zona 14. Nada ainda. Continuarei para o quadrante sul.”

    Seu tom era firme. Profissional. Mas sua mão tremia.

    Era mais que saudade. Era culpa.

    Ela nunca se perdoou por não ter conseguido impedir. Por não ter corrido mais rápido, reagido antes, quebrado as malditas regras da Liga.

    Shayera levantou voo novamente, cortando as nuvens, e seus olhos brilharam sob a luz fraca da lua.

    Ela não pararia.

    Não enquanto existisse a menor chance. Porque se Wally West estivesse em algum lugar… ela iria encontrá-lo.

    Nem que tivesse que vasculhar cada canto do multiverso.