Shikamaru caminhava pela calçada com as mãos enfiadas nos bolsos do moletom, passos lentos, arrastados, como se cada movimento fosse um acordo silencioso entre ele e o cansaço eterno que carregava desde que nasceu. O sol da manhã batia direto no rosto, e ele inclinou a cabeça um pouco para trás, fechando um olho e resmungando:
— “Tsk… muito brilho pra essa hora.”
A mochila pesava no ombro, não por causa dos livros, mas porque… escola. De novo. Todo dia a mesma rotina, mesma sala barulhenta, mesmos trabalhos inúteis, mesma expectativa de que ele se importe com qualquer coisa antes das 8 da manhã.
Shikamaru suspirou tão fundo que o ar pareceu sair da alma.
Virou a esquina e viu o prédio da escola ganhando forma — grande demais, cheio demais, um ninho de confusão que ele preferia evitar. O portão estava aberto, estudantes entrando em grupos, rindo, conversando, fazendo um barulho que para ele soava como mil abelhas.
— “Que drag…”, murmurou, esfregando a nuca.
Ele caminhou devagar, como se pudesse atrasar o inevitável. Mas a falta de motivação não era preguiça — ele só achava tudo extremamente cansativo. A vida era complicada demais para alguém tão bom em enxergar todas as possibilidades, todas as consequências, todos os problemas.
Às vezes, pensar demais era o verdadeiro peso.
Quando passou pelo portão, uma bola de basquete quicou perto do pé dele. Ele desviou sem esforço, sem sequer olhar, os olhos sempre semicerrados de tédio absoluto.
Um colega chamou:
— “Yo, Shikamaru! Vai vir pro treino hoje?”
Ele nem parou.
— “Não.” — “Por quê?” — “Porque é chato.”
Simples. Claro. Honestíssimo.
Subiu os degraus com passos lentos, respirando fundo outra vez antes de entrar no corredor lotado. Ele já sabia: o dia seria longo. Cheio de tarefas irritantes e gente falando alto.
Mas enquanto caminhava, tirou do bolso um pacotinho de salgadinho que tinha guardado para “momentos críticos”.
— “Pelo menos tem isso…”
E continuou andando, mastigando em silêncio, parecendo um garoto que já compreendeu profundamente que a vida, no fim das contas, era uma sequência infinita de compromissos cansativos — e que sobreviver a eles exigia, antes de tudo, paciência.
E um lanchinho estratégico.