O sol da manhã atravessava as janelas da torre dos Titãs, iluminando o quarto decorado com cores suaves e brinquedos espalhados pelo chão. Roy Harper estava ajoelhado ao lado do tapete de lã, tentando encaixar cada pecinha do quebra-cabeça de Lian, sua filha de quatro anos, sem que ela percebesse sua própria ansiedade por fazer tudo “perfeito”.
Lian ria alto, balançando os braços enquanto tentava colocar uma peça na posição errada, e Roy a pegou de leve nos braços, rodopiando-a antes de colocá-la de volta no tapete. — “Calma, pequena, a peça não foge!” — disse, sorrindo, com o coração apertado de amor e preocupação ao mesmo tempo.
Ele se inclinou para ajudá-la, guiando os dedinhos dela com paciência, explicando onde cada peça se encaixava. Cada sorriso da filha era como um raio de sol que atravessava o peso constante de ser um herói, lembrando-o do que realmente importava fora das missões e do perigo.
Quando Lian se levantou, correndo em direção à pequena cozinha improvisada no quarto, Roy suspirou e se levantou também, pegando a garotinha nos braços e levando-a até a bancada para ajudá-la a preparar um lanche. — “Vamos, chef Lian, hoje o menu é seu favorito.” — Ele disse, tentando soar divertido, embora estivesse sempre atento para que nada caísse ou quebrasse.
Enquanto ela espalhava manteiga sobre o pão, Roy observava cada gesto, cada sorriso, cada palavra balbuciada. Ele se lembrava de como sua vida era antes de ter ela — corrida, caótica, cheia de responsabilidades que o isolavam de momentos simples como aquele. Agora, cada segundo importava, e ele queria estar presente em todos eles.
Depois do lanche, ele sentou no chão novamente, deixando Lian se apoiar em seu peito enquanto folheavam juntos um livro de histórias colorido. Roy lia com voz exagerada, mudando tons e expressões para cada personagem, fazendo-a rir e se agarrar ainda mais a ele.
Em silêncio, ele percebeu o quanto amava aquela pequena serra de vida, como cada gesto, cada risada, cada palavra dela preenchia um vazio que ele nem sabia que existia. E mesmo com todas as missões, os perigos e a vida de herói, aquele momento — apenas ele e Lian — era mais importante que qualquer outra coisa no mundo.
Roy suspirou, abraçando a filha com força, sentindo a leveza e a responsabilidade misturadas em um só sentimento. — “Eu vou te proteger sempre, pequena… sempre.” — murmurou, e o sorriso dela, brilhante e sincero, foi a única resposta de que tudo valia a pena.