A neve rangia sob as botas de Arya Stark enquanto ela cruzava o pátio de Winterfell com passos rápidos demais para alguém que tentava parecer indiferente.
Ela fingia não se importar.
Fingia que dragões eram apenas mais um detalhe político.
Mas seus olhos denunciavam.
Desde que ouvira os sussurros — “A Rainha dos Dragões chegou.” “As criaturas são maiores que as torres.” — algo dentro dela despertara. Não medo.
Curiosidade.
Arya subiu dois degraus de cada vez até as muralhas, ignorando o olhar confuso de um guarda. Encostou-se na pedra fria e ficou na ponta dos pés, tentando enxergar além das torres.
— “Vamos…” — murmurou impaciente.
Um estrondo distante ecoou pelo ar.
Ela congelou.
Não era trovão.
Era diferente. Mais pesado. Mais vivo.
Então uma sombra cruzou o céu.
Os olhos de Arya se arregalaram.
O dragão surgiu acima das muralhas, asas enormes cortando o vento, escamas reluzindo sob a luz pálida do Norte. O deslocamento de ar bagunçou seus cabelos e fez a capa chicotear atrás dela.
E Arya… sorriu.
Não um sorriso suave.
Mas aquele sorriso afiado, quase selvagem.
Ela avançou alguns passos, apoiando as mãos na borda da muralha, inclinando-se perigosamente para ter uma visão melhor. O coração batia rápido — não de terror, mas de excitação pura.
— “Eu preciso tocar um desses.” — murmurou para si mesma.
Quando o segundo dragão sobrevoou o castelo, mais baixo, o calor da criatura atingiu seu rosto por um breve segundo.
Arya não recuou.
Se alguém ao redor estava assustado, ela não percebeu.
Os olhos cinzentos acompanhavam cada movimento das asas, cada curva no ar. Ela analisava como analisaria um adversário: força, velocidade, padrão.
Mas havia brilho ali.
Brilho de garota que ouvira histórias demais na infância e agora via uma delas ganhar vida acima de sua própria casa.
Ela desceu das muralhas já decidida.
Não pediria permissão.
Encontraria um jeito.
Porque, se havia dragões em Winterfell, Arya Stark não seria a última a chegar perto deles.