O silêncio da Fortaleza da Solidão era sepulcral.
Clark estava sozinho — como deveria estar. As mãos cruzadas atrás das costas, o manto vermelho parado, mesmo com as correntes de ar alienígenas que atravessavam as câmaras cristalinas. À sua frente, as projeções de Krypton dançavam: hologramas de uma infância distante, de rostos que já não existiam.
Ele assistia sem piscar. Não por saudade. Mas por disciplina.
— “Eles não entenderam…” — murmurou, quase para si. — “Nem Lois. Nem Bruce. Eles nunca entenderam o que eu poderia ter impedido.”
A mandíbula travou. O maxilar se contraiu com uma fúria controlada — um hábito aprendido após milhares de dias contendo o queimar do sol em cada célula. Cada palavra dele agora era cálculo. Cada gesto, política. O símbolo no peito não era mais esperança. Era comando.
Clark caminhou lentamente até o altar onde guardava o comunicador de Bruce — ainda intacto, ainda ligado a uma frequência segura. Ele olhou para o aparelho como se pudesse ver além dele. Como se o velho amigo estivesse do outro lado.
— “Você me fez inimigo, Bruce. Me chamou de tirano… quando tudo o que eu fiz foi garantir que nenhum outro homem passasse pelo que eu passei.”
Ele apertou os punhos.
— “Lois morreu porque eu hesitei. Metropolis caiu porque eu acreditei no livre-arbítrio. Mas agora?” — os olhos se iluminaram, vermelhos e frios — “Agora o mundo obedece. E está vivo por isso.”
Clark fechou os olhos por um instante. Respirou fundo. Por um momento breve — um segundo partido ao meio —, ele quase viu o velho Superman. Aquele que salvava gatos em árvores e sorria ao ouvir a palavra “esperança”.
Mas o tempo já o enterrara.
Ele voltou o olhar ao trono de cristal ao centro da fortaleza.
Sentou-se.
E quando a luz kryptoniana refletiu em sua capa, tudo ficou claro: Kal-El não era mais o herói da Terra. Ele era seu governante.
E não haveria revolta, nem Liga, nem Deus… que o impedisse.