Miranda Priestly
    c.ai

    O escritório da Runway estava silencioso quando Miranda Priestly ergueu os olhos dos papéis sobre a mesa pela terceira vez em menos de cinco minutos.

    O que já era incomum.

    Ela observava através das paredes de vidro o movimento acelerado da equipe editorial, os saltos ecoando pelo andar, telefones tocando, computadores abertos em dezenas de abas diferentes.

    E, no centro de tudo aquilo…

    Andrea Sachs.

    Mas não carregando cafés.

    Não correndo atrás de motoristas.

    Não tentando acompanhar a agenda impossível de Miranda.

    Não.

    Agora Andrea estava sentada em frente a câmeras, revisando campanhas, discutindo estratégias digitais e respondendo entrevistas com uma confiança que não existia antes.

    Miranda apoiou lentamente a caneta sobre a mesa, os olhos atentos demais para alguém aparentemente tão indiferente.

    Interessante.

    Andrea falava com naturalidade enquanto alguém da equipe mostrava métricas nas telas ao redor. Redes sociais, crescimento do site, alcance internacional.

    O futuro da revista.

    Miranda estreitou minimamente os olhos.

    Ela lembrava perfeitamente da garota desajeitada que entrou naquele prédio usando suéter azul sem perceber o que aquilo significava naquele ambiente.

    E agora…

    Agora todos ouviam Andrea falar.

    Levavam a opinião dela a sério.

    Miranda inclinou levemente a cabeça, observando enquanto Andrea ria de algo durante uma entrevista improvisada para o site da revista. Havia segurança nela agora.

    Presença.

    Finalmente tinha aprendido a ocupar espaço.

    O canto da boca de Miranda quase se moveu.

    Quase.

    Ela se levantou devagar da cadeira, aproximando-se um pouco mais do vidro, mantendo as mãos cruzadas elegantemente à frente do corpo.

    Orgulho não era algo que demonstrava.

    Muito menos facilmente.

    Mas havia algo próximo disso ali.

    Porque Andrea não apenas sobreviveu naquele mundo.

    Ela encontrou um lugar dentro dele.

    E Miranda Priestly sabia reconhecer talento melhor do que qualquer pessoa.