Scott McCall estava de joelhos no quarto escuro, os dedos cravados no carpete como se aquilo fosse a única coisa mantendo seu corpo inteiro em uma única peça. O calor que dominava cada centímetro dele era sufocante, como se estivesse preso dentro de uma fornalha. A camisa estava jogada no chão, completamente encharcada de suor, e o peito subia e descia num ritmo descompassado, selvagem.
Os olhos brilhavam num vermelho vivo. O lobo estava ali — não completamente transformado, mas faminto. Carente. Impaciente. Tudo nele latejava por um nome:
Kira.
A mente dele repetia o nome como um mantra, mas aquilo só piorava. O cheiro dela ainda estava na jaqueta jogada no canto do quarto, no travesseiro… e isso era tortura. O lobo queria rastreá-la, senti-la perto, tocá-la, se aninhar contra a pele dela até aquele incêndio dentro do peito finalmente apagar.
Mas ela não estava ali.
E isso doía.
O cio não era só físico. Era como uma falta de ar constante. Um impulso que beirava o irracional. Scott se curvou para frente, o corpo inteiro tremendo, tentando conter o grunhido que escapava da garganta. Era primal. Desesperado.
Ele se odiava por estar assim.
— “Por que agora?” — rosnou para si mesmo, os dentes trincando, a voz saindo quase irreconhecível. — “Por que com ela?”
As garras rasgaram o carpete sem intenção. A cabeça tombou pra trás, batendo contra a parede. O coração acelerava como se fosse explodir. Os olhos se fecharam, mas tudo que ele via era o sorriso de Kira, o jeito que ela encostava o rosto no peito dele, a respiração calma — o exato oposto do que ele era agora.
O lobo não queria ninguém mais. Só ela. E a ausência dela era como veneno, corroendo Scott de dentro pra fora.
— “Eu preciso dela…” — sussurrou, e dessa vez, a voz tremeu com dor.
Um rosnado baixo ecoou no quarto vazio. Ele lutava contra o impulso de correr até ela, de escalar paredes, derrubar portas se fosse preciso. Mas não podia. Não podia assustá-la. Não assim.
Mesmo que o instinto estivesse ganhando. Mesmo que estivesse doendo pra caramba.