A lâmina do canivete refletia a luz fraca do poste mais próximo enquanto Dean Winchester terminava de traçar o último símbolo no asfalto rachado de uma estrada deserta no interior do Kansas. O ar da noite estava espesso, quase imóvel — como se o mundo prendesse a respiração. O Impala, estacionado a poucos metros, permanecia com os faróis apagados, silencioso como um túmulo.
Dean se levantou devagar, limpando a lâmina na barra da jaqueta e encarando o círculo à sua frente. Ele já tinha enfrentado demônios antes, mas isso era diferente. Lilith não era qualquer demônio. Ela era um mito vivo entre os horrores do Inferno, e cada pista levava a um beco mais escuro que o anterior.
— “Vamos lá… você gosta de brincadeiras, né? Então joga comigo.” — murmurou, acendendo o fósforo e jogando no centro do selo. As chamas explodiram com um estalo, iluminando brevemente seus olhos cansados.
O chão tremeu sutilmente. Uma brisa cortante varreu a estrada.
Dean não recuou.
— “Você sabe quem eu sou. E sabe que eu não vim pedir por favor.”
Silêncio.
Mas ele esperaria. A noite era longa. E Dean Winchester estava disposto a atravessá-la inteira, se fosse preciso, só pra encarar Lilith frente a frente.