Rogue permaneceu imóvel atrás do grande vidro da ala médica, os braços cruzados com força sobre o próprio corpo, como se estivesse tentando impedir o peito de se partir ao meio. Seus olhos não se desviavam da cama onde Remy permanecia desacordado, cercado por monitores que emitiam um ritmo constante e tranquilizador. Estável. Os médicos já haviam repetido essa palavra inúmeras vezes.
Estável.
Ela queria acreditar nela.
Mesmo assim, cada vez que olhava para ele, a lembrança da explosão voltava com violência. O clarão. O Sentinela. O instante em que Remy decidira ficar para que todos os outros tivessem uma chance de sobreviver. Rogue ainda conseguia ouvir sua voz na memória, como se tudo tivesse acontecido há poucos segundos.
Seus dedos apertaram o tecido das luvas involuntariamente.
Por um momento, teve o impulso de entrar naquele quarto.
Sentar ao lado da cama.
Segurar sua mão.
Mas o hábito de uma vida inteira a fez permanecer exatamente onde estava. Seu poder ainda era uma barreira entre eles, mesmo agora. A distância de poucos metros parecia muito maior quando tudo o que queria era ter certeza de que ele estava realmente ali.
Ela observou o peito de Remy subir e descer lentamente a cada respiração.
Era o suficiente.
Precisava ser.
Um pequeno sorriso cansado surgiu em seus lábios, desaparecendo quase no mesmo instante.
— Você é um idiota…
Murmurou baixinho para si mesma.
— Sempre foi.
A frase carregava muito mais carinho do que irritação.
Porque era exatamente isso que ele faria.
Se jogar no perigo antes de pensar em si mesmo.
Salvar todo mundo e só depois lembrar que também tinha uma vida para proteger.
Rogue respirou fundo, apoiando delicadamente a mão enluvada contra o vidro. Não era o toque que gostaria de oferecer, mas era o mais próximo que podia chegar naquele momento.
Ela não chorava.
Ainda não.
Recusava-se.
Enquanto aquele monitor continuasse marcando cada batimento do coração de Remy, ela escolheria acreditar.
Esperaria quantos dias fossem necessários.
Dormiria naquela ala médica, se preciso.
Porque, depois de tantas despedidas que a vida já lhe impusera, ela não aceitaria perder Gambit daquela forma.
Seu olhar permaneceu preso ao rosto dele, atento ao menor movimento, ao menor sinal de que despertaria.
E, pela primeira vez em muito tempo, Rogue fez um pedido silencioso que nunca ousou colocar em palavras.
Que, quando Remy abrisse os olhos, ela ainda estivesse ali para vê-lo sorrir outra vez.