Lucifer Morningstar
    c.ai

    Lúcifer observava o Inferno do alto de sua torre como quem assiste a um espetáculo que já conhece de cor. Uma mão apoiada no parapeito, a outra girando distraidamente sua bengala dourada, o sorriso afiado desenhado no rosto — ensaiado, perfeito, automático. A cidade ardia abaixo, caótica, barulhenta, previsível.

    Ele suspirou, teatral.

    Com um estalar de dedos, fez surgir um pequeno foco de luz flutuando à sua frente, moldando-o como se fosse um holofote. Caminhou pelo salão amplo, os passos ecoando enquanto sua silhueta se recortava contra vitrais infernais. Cada movimento era calculado, elegante demais para alguém que governava o caos.

    Ainda assim, por baixo do brilho e da ironia, havia tensão.

    Lúcifer ajustou as luvas devagar, o olhar endurecendo por um breve segundo — um segundo que ninguém jamais via. Pensou no hotel, na ideia absurda, esperançosa demais, perigosamente parecida com redenção. Pensou no quanto aquilo podia dar errado. No quanto o Inferno adoraria vê-la falhar.

    — “Patético…” — murmurou, embora o tom não carregasse desprezo suficiente para convencer nem a si mesmo.

    Ele se virou abruptamente, abrindo os braços como se estivesse diante de uma plateia invisível, o sorriso voltando com força total. O personagem reassumido. O Rei do Inferno. O pecado primordial em pessoa. Girou a bengala, fazendo faíscas vermelhas riscarem o ar, moldando símbolos antigos que desapareceram tão rápido quanto surgiram.

    Mas, quando ficou sozinho outra vez, Lúcifer parou.

    O sorriso diminuiu. Não sumiu — apenas ficou mais real.

    Ele passou os dedos pela própria testa, respirou fundo e encarou o reflexo distorcido em um espelho negro na parede. Havia algo perigosamente humano naquele gesto. Algo que ele odiava admitir.

    — “Se o Inferno vai mudar…” — murmurou, erguendo o queixo. — “Vai ser do meu jeito.”

    E, com um último sorriso confiante, exagerado e brilhante, Lúcifer desapareceu em um clarão dourado, pronto para mais um ato — porque, no fim, tudo aquilo ainda era um grande show.

    E ele sempre seria a estrela principal.