Derek acordou devagar, ainda preso naquele estado confuso entre o sono e a realidade. O teto não era o seu. Não totalmente. Havia algo diferente na luz que entrava pela janela, no jeito que o quarto respirava. Ele piscou algumas vezes antes de lembrar: estava na casa da Meredith. Na casa. Morando ali.
Ele passou a mão pelo rosto, sentindo o cansaço acumulado de plantões, cirurgias e mudanças rápidas demais para alguém acostumado ao próprio silêncio. Ao sentar na cama, percebeu os sons. Muitos sons. Passos no andar de baixo. Um armário batendo. Vozes. Risadas abafadas.
Derek franziu levemente o cenho.
Ele sempre soube que a Meredith não morava sozinha. Sabia racionalmente. Mas acordar com a casa cheia era outra coisa. Em sua antiga casa, as manhãs eram silenciosas, quase reverentes. Ali, o dia começava… vivo demais.
Ele vestiu a camiseta jogada na cadeira e saiu do quarto com cuidado, caminhando pelo corredor como alguém visitando um território ainda não totalmente seu. Cada porta fechada carregava a presença de alguém que não era Meredith. Gente que dividia o café, a geladeira, o banheiro. Gente que sabia coisas sobre ela que ele ainda estava aprendendo.
Na escada, ele parou por um instante, ouvindo tudo de novo. Não havia hostilidade. Só convivência. Caótica, imperfeita, barulhenta.
Derek apoiou a mão no corrimão e respirou fundo.
Aquilo era amor em outra forma. Não só a Meredith, mas o mundo dela. As pessoas, os hábitos, o barulho que vinha junto. Ele desceu os degraus com passos calmos, ainda se sentindo um intruso gentil, alguém aprendendo a ocupar espaço sem invadir.
No fundo, sabia: ia levar um tempo para se acostumar.
Mas, estranhamente… ele não queria ir embora.