Owen corria pelo hospital sem realmente ver para onde estava indo. Os corredores se misturavam, as placas pareciam todas iguais, os números dos quartos não faziam sentido algum. O som da própria respiração abafava tudo, pesada, irregular, quase dolorosa.
Cristina.
O nome martelava na cabeça dele a cada passo. Ele virava esquinas rápido demais, parava de repente, olhava para dentro de quartos errados, pedia informação a pessoas que nem registrava direito. As mãos tremiam, sujas de sangue seco que ele não sabia se era dele, dela, de ninguém específico.
— “Cristina…” — murmurou, como se dizer o nome pudesse puxá-la até ele.
Owen passou a mão pelos cabelos, o desespero começando a tomar algo mais feio, mais conhecido. A sensação era a mesma do campo de guerra: perda de controle, ruído demais, informação de menos. Ele tentou se obrigar a respirar fundo, mas o peito simplesmente não obedecia.
Dobrou mais um corredor, o coração acelerando ao ver um grupo de médicos saindo de um quarto. Aproximou-se rápido demais, os olhos procurando qualquer sinal, qualquer pista, mas não era ela. Nunca era.
A frustração virou pânico. Ele bateu a mão na parede, sentindo o impacto ecoar pelo braço, só para se manter ali, de pé, consciente. Não podia parar. Não agora.
Owen voltou a andar, depois a correr outra vez, o hospital inteiro parecendo grande demais, cruel demais, enquanto a única coisa que importava permanecia fora do alcance.
E cada segundo sem encontrá-la fazia o medo se transformar em algo quase insuportável.