Tom estava sentado na areia mais afastada, onde o barulho do mar chegava abafado e as pessoas viravam apenas silhuetas distantes. Usava óculos escuros mesmo com o céu parcialmente nublado, braços cruzados e a postura típica de quem fingia indiferença — mas não estava realmente desligado de nada.
A brisa salgada bagunçava levemente seu cabelo, e ele odiava admitir, nem que fosse para si mesmo, que aquilo era… suportável. O cheiro do mar, o som constante das ondas, a casa de praia logo atrás deles. Tudo parecia perigosamente tranquilo.
Tom inclinou o rosto de leve, observando o horizonte. Não procurava ninguém em específico. Não precisava. Mesmo assim, havia uma atenção constante, quase automática, como se parte dele estivesse sempre à espera de um movimento conhecido, de uma presença que ele não queria nomear.
Ele soltou uma risada baixa, curta, ao perceber o próprio pensamento.
— “Que idiota…” — murmurou, mais para o vento do que para si.
Os dedos afundaram na areia, desenhando linhas sem sentido. Tom não era do tipo que gostava de sol, nem de férias, nem de lugares cheios de gente. Mas ali, naquele intervalo estranho entre o que era e o que estava se tornando, ele não se levantou. Não foi embora. Não se fechou por completo.
Em vez disso, tirou os óculos por um instante, deixando os olhos encontrarem o mar. Havia algo inquieto ali — não ansiedade, mas expectativa contida. Algo que ele não chamaria de felicidade. Nunca faria isso.
Tom colocou os óculos de volta, reclinou o corpo para trás e ficou.
Só ficou.
Porque, mesmo sem admitir, aquela praia já não era apenas um lugar. E ele sabia exatamente o motivo.