Baji keisuke
    c.ai

    A cidade estava em silêncio, apenas o som abafado do ventilador quebrado pela falta de energia enchendo o quarto. O calor da madrugada era sufocante, e você se mexia no colchão, tentando achar uma posição confortável. Do outro lado do quarto, Baji estava sentado encostado na parede, o cabelo colado na testa pelo suor, com aquele olhar travesso misturado a um cansaço pesado.

    “Não aguento esse calor… parece que o mundo tá tentando me assar vivo,” ele resmungou, jogando o braço para o lado e suspirando.

    Você riu, embora estivesse igualmente desconfortável. “Também tô sofrendo… mas tu podia parar de se lamentar tanto, Baji.”

    Ele bufou, mas se aproximou, sentando de pernas cruzadas perto de você. “Ah, mas tu sabe que reclamar é meu talento natural. E… eu tô com sono… e calor… e com saudade de ti.”

    O comentário fez seu coração disparar. Ele nunca dizia coisas assim sem motivo, e aquele tom baixo, quase rouco, deixava claro que ele estava vulnerável. Baji sempre era o durão, o provocador, mas agora ali, sem ventilador, sem energia, ele era só humano. E carente.

    “Saudade de mim?” você perguntou, com um sorriso pequeno, esticando a mão para tocar o braço dele.

    “É… tô precisando de ti agora,” ele murmurou, puxando você para mais perto com aquele jeito quase bruto, mas sem perder a delicadeza. Você sentiu o calor do corpo dele contra o seu, a respiração dele misturando-se à sua, e a intensidade daquele momento quase fez o calor passar despercebido.

    Baji se deitou ao seu lado, ainda mantendo o braço sobre a sua cintura, puxando você para mais perto. “Fica aqui comigo… só assim consigo dormir direito,” ele disse baixinho, encostando a testa na sua.

    Você passou a mão pelo cabelo dele, sentindo cada fio molhado de suor, e percebeu o quanto ele realmente precisava de você naquele instante. O lado travesso dele estava escondido, substituído por uma carência sincera e uma necessidade de proximidade que ele raramente mostrava.

    “Tá calor… mas… tá melhor assim contigo,” ele murmurou, fechando os olhos, a voz rouca e cansada. Cada respiração dele fazia seu peito se mover de forma sincronizada com o seu, e você percebeu que, apesar do calor sufocante, havia um conforto imenso naquele abraço.