O calor vinha antes dele.
As luzes da Casa Eichen tremeluziram quando Parrish atravessou o corredor, o corpo irradiando uma temperatura antinatural. A pele estava marcada por linhas incandescentes, como se chamas tivessem sido gravadas à força sob a carne — cicatrizes abertas, vivas, pulsando em laranja e vermelho. Cada passo deixava o ar mais pesado, sufocante.
Ele não falava.
O som que escapava de sua garganta era um rosnado baixo, primal, carregado de fome e comando. Os olhos brilhavam como brasas recém-acesas, sem qualquer traço de reconhecimento. Não havia xerife. Não havia homem. Apenas o Cão do Inferno.
Parrish virou a cabeça lentamente ao ouvir movimento. Um guarda surgiu no fim do corredor, arma em mãos. O erro foi respirar alto demais. Em um instante, Parrish avançou. O toque foi suficiente. O calor explodiu, consumindo, e o corpo caiu sem sequer um grito.
Ele seguiu em frente.
Portas se fechavam, alarmes soavam, pessoas corriam — todas irrelevantes. Qualquer um que tentasse impedi-lo era abatido com brutalidade silenciosa, queimado por dentro, jogado contra paredes que escureciam com marcas de fuligem. O chão rangia sob o peso do poder que o controlava.
Parrish parou no meio do corredor principal. O rosnado cessou por um segundo, substituído por uma inspiração profunda. O cheiro.
Lydia.
O corpo se retesou, as marcas em chamas se intensificaram, iluminando o espaço ao redor. Ele virou na direção das escadas, o olhar fixo, determinado. Nada importava além disso. Não ordens. Não consequências. Não vidas.
O Cão do Inferno avançou novamente.
E a Casa Eichen inteira parecia saber: ninguém o pararia.