Tim Drake
    c.ai

    O relógio quebrado na parede marcava 2h06. Mas Tim já não lembrava há quantas horas estava ali — os olhos fixos na tela, o corpo imóvel, a respiração ritmada como uma máquina.

    Conner sorria em cada imagem. Ria, falava, respirava. E Tim via tudo. Cada pequeno movimento, cada toque, cada olhar lançado a alguém que não era ele.

    O cursor piscava sobre o rosto de uma garota qualquer — loira, uniforme de treino, um sorriso aberto demais. Tim ampliou a imagem. Deu zoom até o rosto dela preencher toda a tela. O sorriso dela começou a distorcer, a se quebrar, enquanto ele murmurava baixo:

    — “Você devia ter olhado pro chão.”

    A tecla “delete” soou como um tiro. Arquivo excluído. Rosto apagado. Problema resolvido.

    Ele respirou fundo. Os dedos tremiam, mas o sorriso era doce — doce demais pra caber em algo tão humano. Havia anotações espalhadas por todo o quarto: post-its, mapas, fotos de Conner coladas nas paredes como um santuário. O cheiro de café frio, o zumbido do computador e o som distante da chuva batiam em sincronia com o pulso dele.

    Tim se levantou devagar. A cadeira girou sozinha quando ele passou. No espelho, o reflexo mostrava um rosto calmo, metódico… mas os olhos — os olhos estavam queimando.

    Ele foi até a porta do quarto ao lado. Apoiou a testa na madeira, ouvindo o som da respiração de Conner — lenta, pacífica, ingênua. Tão vulnerável. Tão dele.

    Um riso baixo escapou, quase um suspiro.

    — “Você não faz ideia, né…?” — sussurrou. — “Do quanto eu te protejo. Do quanto eu te mantenho seguro. Do que eu faço pra você nunca ter que ver o que o mundo é de verdade.”

    Os dedos deslizaram pela maçaneta. Por um instante, ele pareceu prestes a entrar. Mas então parou. Recuou um passo.

    Ele não queria acordar Conner. Ainda não.

    Tim voltou à sala, sentou-se de novo, olhou para o monitor escuro. E sussurrou, num tom quase carinhoso, mas frio o bastante pra congelar o ar:

    — “Enquanto eu existir, você não precisa de mais ninguém.”

    O monitor piscou, reacendendo. O rosto de Conner apareceu de novo. E Tim sorriu — um sorriso lento, paciente, completamente errado.