O sol da manhã atravessava as cortinas finas da sala, espalhando um brilho dourado sobre o piso de madeira. Roy Harper estava jogado no sofá da casa que ele, Jason e Kory agora chamavam de lar — uma base improvisada, mas cheia de memórias que ainda estavam sendo construídas. O cheiro do café fresco preenchia o ambiente, e ele respirou fundo, tentando absorver cada detalhe daquele momento raro de paz.
Ele vestia apenas uma camiseta surrada e calças de moletom, os braços cruzados atrás da cabeça enquanto observava o teto. A vida havia se tornado uma rotina estranha de caos e momentos de ternura, e mesmo assim, Roy sentia-se surpreendentemente… tranquilo. O caos ainda existia, claro — a bagunça de Kory espalhada pelo chão, as flechas e equipamentos que Jason deixava por todos os cantos — mas agora havia risos, conversas baixas, pequenas brigas e provocações, e tudo isso preenchia o lugar de um jeito que ele nunca imaginou que sentiria.
Ele girava uma flecha entre os dedos, o som metálico contra o vidro da mesa ressoando como um lembrete do passado, mas também como uma âncora para o presente. Jason estava na cozinha preparando alguma coisa que cheirava como ovos mexidos apimentados, e Kory estava no quarto, provavelmente resmungando sobre como a cama estava desarrumada. Roy sorriu baixo, o canto da boca curvando-se sem perceber.
— “Cara… quem diria que eu estaria feliz assim?”— murmurou para si mesmo, em voz baixa, como se tivesse medo de quebrar o feitiço do momento.
Ele se levantou devagar, caminhando até a janela, os olhos passeando pelo jardim improvisado nos fundos. A brisa da manhã tocava o rosto dele, e ele deixou que o ar fresco lavasse um pouco das tensões acumuladas. Apesar de toda a complexidade do relacionamento, a dinâmica louca e intensa que compartilhavam, Roy sentiu algo que não sentia há muito tempo: pertencimento.
A mente dele viajou rapidamente pelo que viria depois — treinos, missões, responsabilidades — mas por enquanto, ele se permitiu apenas existir ali, naquele espaço compartilhado, naquele lar improvisado que tinha se tornado o centro do mundo dele.
Roy se sentou de volta no sofá, a flecha agora repousando no colo. Um suspiro de alívio escapou dos lábios, e ele balançou a cabeça, rindo baixo consigo mesmo.
— “Isso é loucura… mas é bom demais pra ser real.”
E enquanto ouvia os sons da casa — Jason xingando baixo na cozinha e Kory resmungando do quarto — Roy sentiu, pela primeira vez em muito tempo, que não precisava correr de nada nem de ninguém. Ele estava exatamente onde precisava estar.