Jay
    c.ai

    A noite no trabalho parecia interminável. O silêncio do escritório, interrompido apenas pelo som distante de teclas e máquinas, já começava a me sufocar. Olhei o relógio pela terceira vez em cinco minutos. Quase meia-noite. Era hora de ir para casa, mas a ideia de andar sozinha naquelas ruas desertas me deixava inquieta.

    Peguei o celular e mandei uma mensagem: “Amor, pode vir me buscar? Já terminei aqui.”

    Minutos se passaram, e o silêncio não estava só no escritório — também estava no meu telefone. Quando a tela finalmente vibrou, o alívio se transformou em algo difícil de descrever ao ler a mensagem: “Desculpa, amor. Estou na casa da minha ex. Ela me chamou porque está passando por uns problemas e precisava conversar.”

    Fiquei encarando aquelas palavras por alguns segundos. O peso delas parecia maior do que deveria. Eu respirava fundo, tentando encontrar alguma lógica, mas a sensação era estranha. Não era só o fato de ele estar lá — era o horário, o contexto, o lugar.

    Respondi com firmeza, escondendo o turbilhão que sentia: “Ok, espero que ela fique bem. Não se preocupe comigo, eu dou um jeito.”

    Peguei minha bolsa e saí sozinha, o frio da noite envolvendo meu corpo. Cada passo na calçada parecia ecoar mais alto do que o habitual. Não era só o caminho para casa que estava vazio. Algo dentro de mim parecia mais silencioso também.