M gann
    c.ai

    O corredor da base subterrânea da Equipe Justiça Jovem estava silencioso, exceto pelo som constante dos geradores. Luzes azuladas piscavam, refletindo nas paredes metálicas enquanto M’gann M’orzz, a Miss Martian, caminhava lentamente, segurando um tablet com os relatórios da última missão.

    Ela tentava se concentrar. Tentava agir como líder. Mas sua mente — sempre tão aberta, sempre tão sensível — captava fragmentos de pensamentos que não lhe pertenciam. Ecos. Sussurros. Vozes familiares.

    E, entre todas, uma era inconfundível. Conner.

    Por instinto, M’gann parou no meio do corredor. Seus olhos brilharam em verde por um segundo, o tablet quase escorregando de suas mãos. Ela não queria invadir a mente dele. Nunca mais. Mas as emoções dele eram… fortes demais para serem ignoradas.

    Ela respirou fundo, fechando os olhos — e ali estava o som abafado de risadas. Uma conversa suave. A imagem de Conner e Cassandra Sandsmark, a Moça-Maravilha, lado a lado no hangar, reparando o jato da equipe. O olhar dele… não era o mesmo olhar que ele dava para M’gann. Era leve. Despreocupado. Vivo.

    Um frio percorreu o peito dela.

    — “Não…” — murmurou baixinho, afastando-se da parede.

    A cena em sua mente se desfez, e ela voltou à realidade, agora ofegante. O brilho verde desapareceu dos olhos. Ela apoiou uma mão no peito, tentando conter o coração acelerado.

    Era ridículo, pensou. Eles tinham passado por tanta coisa… tantos anos de idas e vindas, separações, reconciliações. Ela havia feito coisas terríveis em nome do amor, acreditando que poderia consertar tudo. E agora — agora que finalmente estava em paz — o mundo parecia girar de novo, cruelmente, na mesma direção.

    M’gann caminhou até a sala de observação, onde podia ver parte do hangar pela janela de vidro reforçado. Lá estavam eles. Conner e Cassandra. Ele sorria. Sincero. Como não sorria há meses.

    Por um instante, M’gann apenas observou. Não havia ciúme no olhar — apenas uma tristeza quieta, quase madura. Ela encostou a testa no vidro e fechou os olhos, sussurrando para si mesma:

    — “Ele merece ser feliz… mesmo que não seja comigo.”

    O reflexo dela piscou no vidro, por um breve momento assumindo a forma marciana — pele esverdeada, olhos luminosos, expressão vulnerável. Ela suspirou, voltando à aparência humana, o sorriso forçado nos lábios.

    Ela se afastou do vidro lentamente, seus passos quase não fazendo som no chão metálico. No fundo, ela sabia que jamais deixaria de amar Conner — mas também sabia que não podia viver presa ao passado.

    Antes de sair da sala, olhou uma última vez para o hangar, vendo Cassandra rindo de algo que Conner dizia. A cena era simples. Bonita. Dolorosamente humana.

    E então M’gann sussurrou baixinho, quase como uma confissão ao universo:

    — “Talvez seja a hora de eu deixar o coração aprender a se curar.”

    E com isso, Miss Martian desapareceu em um leve brilho esverdeado, flutuando para longe — levando consigo o peso de um amor que, desta vez, ela sabia que precisava soltar.