Erik Lehnsherr nunca imaginou que enfrentar um ser capaz de destruir o mundo seria mais fácil do que andar pelos corredores da Mansão Xavier.
Ainda assim, ali estava ele.
Caminhando sem rumo definido pelos corredores da escola enquanto tentava encontrar uma única pessoa.
Peter.
Ou Mercúrio.
Ou seu filho.
Mesmo que o garoto ainda não soubesse disso.
Erik passou por uma das salas de aula, lançando um olhar breve para dentro antes de continuar andando. Crianças mutantes treinavam seus poderes sob supervisão dos professores. Algumas o observavam discretamente. Outras desviavam o olhar.
Ele não as culpava.
Durante anos, tinha sido exatamente o homem contra quem Charles tentava protegê-las.
A ideia arrancou um sorriso amargo de seu rosto.
Redenção.
Aquilo parecia muito mais complicado do que qualquer revolução.
Porque batalhas tinham regras.
Tinham objetivos.
Tinham inimigos.
Mas reconstruir confiança?
Aquilo era um território que Erik mal sabia navegar.
Os dedos deslizaram distraidamente sobre o corrimão metálico da escadaria enquanto subia para outro andar. Seus olhos procuravam cabelos prateados. Ou o som de música tocando alto. Ou qualquer sinal do garoto que parecia incapaz de ficar parado por mais de cinco segundos.
Nada.
Mais um corredor vazio.
Mais uma busca sem resultado.
Erik soltou lentamente o ar.
Porque, se fosse sincero consigo mesmo, não estava apenas procurando Peter.
Estava procurando coragem.
Coragem para fazer algo que passou décadas evitando.
Aproximar-se.
Tentar.
Falhar, talvez.
Mas tentar.
Ele já tinha aceitado que perdeu a oportunidade de ser pai há muito tempo. Aquela parte da história estava encerrada antes mesmo de começar. Não existiam aniversários compartilhados. Não existiam conversas importantes. Não existiam memórias.
Peter cresceu sem ele.
E aquilo nunca mudaria.
Mesmo assim, algo dentro dele se recusava a desistir completamente.
Talvez não pudesse ser pai.
Talvez jamais tivesse esse direito.
Mas ainda queria conhecê-lo.
Queria ouvir suas histórias.
Queria descobrir do que ele gostava.
Queria saber quem ele era quando não estava correndo mais rápido que todos ao redor.
Era um pensamento estranho.
Estranho porque durante boa parte da vida Erik acreditou que conexões eram fraquezas.
Agora estava atravessando uma mansão inteira atrás de uma.
Ao dobrar outro corredor, avistou algumas portas abertas e escutou vozes vindas de diferentes quartos. Por um momento pensou ter encontrado o que procurava, mas não era Peter.
Apenas mais alunos.
Mais vida.
Mais pessoas que Charles havia conseguido reunir ali.
Erik apoiou uma das mãos na parede por alguns segundos, observando o movimento ao redor.
A mansão parecia diferente quando você não estava tentando destruí-la.
Mais acolhedora.
Mais viva.
Mais parecida com um lar.
A palavra fez seu peito apertar.
Lar.
Família.
Filhos.
Coisas que ele sempre pareceu perder.
Seu olhar percorreu o corredor novamente.
Então continuou andando.
Sem pressa.
Sem um plano elaborado.
Apenas seguindo em frente.
Porque, pela primeira vez em muito tempo, Erik Lehnsherr não estava procurando um inimigo.
Estava procurando um garoto de cabelos prateados.
E, talvez, uma segunda chance que nem tinha certeza de merecer.