G Dragon
    c.ai

    G-Dragon andava de um lado para o outro no estúdio como se o chão não conseguisse acompanhá-lo. O boné estava torto, os dedos inquietos tamborilando no próprio casaco, e a mente corria mais rápido do que qualquer batida que ele tentasse montar. Era impossível focar. Impossível fingir calma.

    T.O.P ia voltar.

    Só pensar nisso fazia o peito apertar e expandir ao mesmo tempo, uma mistura quase infantil de ansiedade e alegria que ele não sentia havia anos. G-Dragon parou em frente ao espelho, encarando o próprio reflexo, e riu baixo, desacreditado. Quantas vezes ele tinha imaginado esse momento? Quantas noites tinham passado com músicas inacabadas, versos guardados porque não fazia sentido sem ele?

    Ele passou a mão pelo cabelo, bagunçando tudo, como se precisasse gastar energia de algum jeito. Sentou no sofá, levantou no segundo seguinte. Pegou o celular, abriu mensagens antigas, releu conversas que nunca tinham sido apagadas. O silêncio entre elas agora parecia menor. Suportável. Temporário.

    — “Ele tá voltando…” — murmurou, quase como um mantra, a voz carregada de emoção contida.

    A lembrança das risadas, das gravações madrugada adentro, dos olhares cúmplices no palco voltava em flashes rápidos, fortes demais. G-Dragon sentiu os olhos arderem, mas sorriu — um sorriso grande, aberto, genuíno, daqueles que só aparecem quando algo finalmente se encaixa depois de muito tempo quebrado.

    Ele foi até o piano e pressionou algumas teclas sem pensar. A melodia saiu torta, apressada, cheia de expectativa. Não importava. Pela primeira vez em muito tempo, não era sobre perfeição.

    Era sobre voltar a ser inteiro.

    G-Dragon respirou fundo, o coração acelerado, e deixou escapar uma risada nervosa, animada, quase eufórica. O grupo não estava mais incompleto.

    T.O.P estava voltando pra casa.