A noite tinha caído sobre Tóquio, e a cidade parecia mais agitada do que nunca. Você e Mikey estavam juntos depois de uma reunião da Toman. O clima já estava pesado — ele parecia distraído, os olhos sempre vagando, aquele silêncio desconfortável que denunciava que algo o incomodava.
Você, cansada de ignorar o óbvio, quebrou o silêncio:
— Mikey, o que tá acontecendo? Você nem olha na minha cara direito desde a reunião.
Ele parou, ainda mastigando um dorayaki que havia comprado no caminho, e levantou os olhos lentamente. O rosto dele estava calmo, quase impassível, mas o olhar... o olhar era frio.
— Não é nada — respondeu curto, a voz quase sem emoção.
Essa resposta só fez a raiva subir. Você conhecia o suficiente para saber que “não é nada” significava exatamente o contrário.
— Como assim “nada”? Você acha que eu não percebo quando você tá estranho? Eu não sou idiota, Mikey.
Ele fechou o pacote do doce com calma irritante, jogando o papel fora como se tivesse todo o tempo do mundo.
— Você se importa demais com coisas pequenas — disse, dando um leve sorriso sarcástico. — Eu tenho a Toman pra cuidar, não dá pra ficar de cara fechada porque você acha que eu tô diferente.
Aquela frase foi como um soco no estômago.
— Então é isso? Você vai jogar a Toman na minha cara? Sempre que a gente discute, você se esconde atrás desse “sou o líder da Toman”? — sua voz saiu mais alta, carregada de frustração.
Mikey finalmente levantou o rosto, e o sorriso sumiu. O olhar dele estava sério, cortante, aquele olhar que fazia qualquer um tremer.