O vento além da Muralha era como lâminas invisíveis cortando o rosto.
Jon Snow manteve-se firme na encosta gelada, os olhos fixos no horizonte branco onde o exército dos mortos se movia como uma mancha viva no meio da neve. Ao longe, o céu escurecia com o bater pesado das asas de dragão.
Ele apertou o punho em torno do cabo de Garra Longa. Não era medo que endurecia seus traços — era responsabilidade.
A aliança com Daenerys Targaryen ainda era recente. Frágil como gelo fino sobre água profunda. Mas naquele momento, não havia Norte ou Sul. Não havia tronos.
Havia sobrevivência.
Jon virou-se brevemente para observar as fileiras: selvagens lado a lado com soldados do Norte, homens que meses antes teriam se matado sem hesitar. Ele caminhou entre eles, passos pesados na neve, encarando cada rosto.
— “Não lutamos por reis.” — disse, a voz firme apesar do vento. — “Lutamos pelos vivos.”
Um rugido ecoou acima, fazendo a neve vibrar sob os pés.
Jon ergueu o olhar para o céu por um segundo apenas — não em admiração, mas em cálculo. Dragões eram fogo. E fogo era a única esperança contra o inverno eterno.
Ele voltou a encarar o campo aberto.
A nevasca começou a engrossar. Silhuetas surgiam na bruma — magras, quebradas, intermináveis.
Jon puxou a espada, o aço refletindo o brilho azulado distante.
Ele deu um passo à frente.
Se tivesse que morrer, morreria de pé.
Se tivesse que viver, seria para garantir que o mundo ainda tivesse amanhecer.
E quando o primeiro grito ecoou no campo congelado, Jon Snow avançou — não como bastardo, não como rei.
Mas como escudo.