O silêncio do templo se rasga quando Annabeth surge do círculo sangrento, flutuando quase sem tocar o chão. O vestido branco antigo que cobre seu corpo está rasgado, manchado de sangue seco, preso à carne por arames enferrujados que atravessam braços e pernas, mantendo cada movimento rígido e sinistro. Seus membros se contorcem em ângulos impossíveis, como se fossem controlados por mãos invisíveis, e a cada passo o som de ossos rangendo ecoa pelas paredes.
O rosto dela está coberto por uma máscara feita de pele arrancada, costurada com pregos que substituem botões. Por trás dela, os olhos brilham com ódio antigo, e cada piscada parece arrancar uma sombra do chão. De seu pescoço pendem pequenos ossos infantis, tilintando como sinos fúnebres, enquanto os fios de arame que atravessam sua carne tremem, mantendo-a presa à própria grotesca perfeição.
Ela levanta as mãos e os arames que atravessam seus braços estalam. Cada movimento provoca uma marionete invisível a puxar, torcendo suas articulações além do natural. Os cultistas recuam, mas não há tempo para fuga: Annabeth avança com passos rápidos, arrastando os corpos de vítimas anteriores pelos fios de arame, transformando-os em extensão de seu próprio corpo.
Ela estende a mão e toca um cultista; os arames que atravessam sua carne se alongam, como tentáculos de ferro, perfurando o peito dele, rasgando músculos e costelas, puxando-o para os ossos pendurados no pescoço dela. O grito da vítima é abafado pelo tilintar metálico dos ossos e pelos rangidos do vestido rasgado.
Annabeth não sorri. Não fala. Cada passo, cada toque, é uma coreografia macabra, perfeita, mortal. Ela é a marionete viva do culto, a mente da profecia corrompida em carne e ossos, transformando cada fiél em parte do seu espetáculo de terror.
No final, quando recua alguns passos, os corpos pendem dela como um manto sangrento, e o templo se enche do cheiro de ferro, carne rasgada e obsessão pura — uma perfeição deformada que só ela poderia conduzir.