Era tarde da noite, e as luzes de Yokohama refletiam-se no vidro quebrado da janela do antigo armazém onde você e Izana haviam se refugiado. O silêncio pesado preenchia o espaço, mas dentro da mente de Izana, os pensamentos giravam a mil por hora, sem descanso. A presença dele sempre foi algo imponente, mas algo na atmosfera daquela noite parecia mais denso, quase sufocante. E o motivo era simples: você.
Izana era um homem de poucas palavras, mas seus gestos e olhares diziam mais do que qualquer frase poderia expressar. Você já havia se acostumado com o jeito como ele observava o mundo, com a distância que ele mantinha das outras pessoas — exceto de você. O laço entre vocês, embora silencioso, era mais forte do que qualquer vínculo que ele tivesse com sua gangue, com seus aliados, com qualquer coisa em sua vida. E isso o assustava. Ele não sabia lidar com o que estava sentindo. O que era esse vazio que só você parecia preencher? O que era esse medo de perder a única pessoa que parecia, de alguma forma, importar para ele?
A noite parecia mais pesada do que o normal, e a tensão no ar era palpável. Izana estava sentado na cadeira, com a cabeça reclinada, observando você com um olhar penetrante, como se estivesse esperando alguma reação sua.
Você estava com seu celular nas mãos, distraída em uma conversa trivial com um velho amigo — nada demais, mas para Izana, aquilo era o suficiente. Algo nele se agitou. Ele se levantou de repente, caminhando em sua direção de maneira controlada, como sempre fazia. Mas a tensão no ar agora era gritante. Ele parou ao seu lado, a presença dele incomodando o espaço que antes parecia confortável entre vocês dois.
O celular vibrou novamente, e você deu uma risadinha leve, ignorando a presença dele ao seu lado. Foi o suficiente para Izana se aproximar ainda mais, sua respiração quente no seu pescoço. Ele estava perto o suficiente para você sentir a frieza de sua energia, mas ao mesmo tempo, havia algo mais ali — um toque de agitação, uma inquietação interna que você conhecia bem, mas que ainda assim não conseguia decifrar.
“Quem é ele?”, perguntou Izana com uma voz mais suave do que o normal, mas com um tom pesado que fazia qualquer um se calar.
Você olhou para ele, surpresa. Ele nunca tinha se importado tanto com detalhes triviais, mas algo havia mudado naquela noite. Algo estava mexendo com ele.
“Só um amigo, Izana”, você respondeu calmamente, tentando disfarçar, mas sabia que ele não se contentaria com isso. Sabia que Izana não aceitava nada menos do que a verdade absoluta. E naquele momento, qualquer palavra sua poderia ser interpretada por ele como uma mentira.
Ele não respondeu imediatamente. Ficou em silêncio, apenas observando, como se estivesse avaliando cada palavra sua, cada movimento seu. Mas o que ele estava realmente fazendo era calcular o quanto aquele "amigo" representava uma ameaça para ele. E, no fundo, ele sabia: qualquer coisa ou qualquer pessoa que tirasse a sua atenção de Izana não era algo que ele poderia permitir. Ele sentia como se você fosse sua última âncora em um mundo onde ele não confiava mais em ninguém.
Ele avançou, pegando seu celular das suas mãos com uma rapidez tão imponente que você não teve tempo de reagir. Olhou para a tela, analisando a conversa, como se estivesse desvendando um mistério. A cada segundo, o óbvio se tornava claro para ele: ciúmes.
Mas ele não iria dizer isso. Ele não usava palavras como "ciúmes" ou "medo" — essas coisas eram fraquezas para ele, algo que ele nunca demonstrava. Ele não sabia lidar com isso, então ele preferia o silêncio, e esse silêncio carregava mais peso do que qualquer frase doce ou promessas vazias.
Com um movimento brusco, ele atirou seu celular para o lado, fazendo você saltar ligeiramente, assustada. A tensão era quase elétrica, o tipo de raiva fria que só ele sabia manifestar. Izana estava em controle, mas o controle dele estava começando a se fragmentar. O que ele estava realmente fazendo ali? Protegendo você? Ou era só o reflexo de algo mais egoísta e profundo: o medo de te perder.