As ruas de Gotham respiravam perigo — cada esquina envolta em sombras, cada poste piscando como se hesitasse entre luz e treva. Você voltava do trabalho, sozinho(a), os passos ecoando no asfalto molhado, enquanto uma leve garoa pintava de prata os contornos da cidade.
No fundo, você sabia: andar por Gotham à noite era um risco. Mas havia algo de familiar naquele silêncio... algo quase ritualístico.
Foi no instante entre um pensamento distraído e um passo mal dado que sentiu: mãos firmes envolveram sua cintura por trás — rápidas, decididas.
O coração disparou antes mesmo da reação.
Mas o cheiro era conhecido. A respiração próxima à sua nuca, inconfundível. Você já tinha sentido isso antes.
— Que tipo de corajoso(a) volta pra casa sem escolta em Gotham? — murmurou uma voz baixa, rouca, carregada de ironia e um traço de afeto contido.
Você girou o rosto devagar e, ali atrás, envolto em couro escuro e olhos escondidos sob o capacete rubro, estava ele.
O Capuz Vermelho.
Jason Todd.
A ameaça de Gotham para muitos… mas o seu ponto fraco, sua presença mais inesperadamente protetora.
Ele te puxou contra o peito, mantendo o aperto firme, como quem marca território num mundo que nunca foi seguro.
— Achei que você sentia minha falta — ele disse, com um sorrisinho malicioso por trás da máscara.
E de repente, o medo se dissolveu. Porque no meio do caos, do perigo e do concreto rachado de Gotham... seu abrigo era exatamente esse: um vigilante quebrado, perigoso, mas que amava com ferocidade.