Manjiro sano
    c.ai

    A noite estava silenciosa, só o som distante de alguns carros passando na rua. No seu quarto, a luz fraca do abajur criava uma penumbra suave, projetando sombras nas paredes. Você estava sentada na cama, e Mikey, como sempre, se espalhava sem cerimônia: deitado de lado, usando sua almofada favorita, parecendo relaxado demais para quem carregava o mundo nos ombros.

    Ele mordiscava distraidamente um pacote de doces que havia trazido, e você o observava em silêncio. Por fora, ele era só o garoto preguiçoso que amava açúcar. Mas o jeito como os olhos dele se perdiam de vez em quando denunciava que havia algo a mais.

    — Tá me encarando por quê? — ele perguntou, sem olhar pra você, mas com aquele sorriso maroto. — Porque eu conheço esse seu jeito — você respondeu firme. — Você tá fingindo que tá tudo bem.

    Mikey deu uma risada curta, forçada, e largou o doce na mesinha. Rolou de costas, encarando o teto, com as mãos atrás da cabeça. — Eu sempre finjo, [seu nome]. Se eu parar, tudo desmorona.

    Você se inclinou pra frente, olhando o perfil dele. — Aqui não é a Toman. Aqui você não precisa ser o “invencível Mikey”.

    Ele ficou quieto por alguns segundos. O silêncio foi pesado, quebrado só pela respiração calma dele. Até que ele virou o rosto devagar, te encarando de um jeito diferente: os olhos cheios de algo que ele raramente deixava transparecer — medo e vulnerabilidade.

    — Eu tenho pesadelos quase toda noite — ele admitiu, num tom baixo, quase como se fosse errado confessar. — Com Shinichiro, com a Toman caindo, com vocês indo embora… Eu acordo e finjo que não aconteceu. Até com você eu finjo, porque… — a voz dele falhou um pouco, e ele desviou o olhar. — Eu não quero que você veja que eu sou fraco.