Thor ainda não havia decidido se a nave dos Guardiões da Galáxia era incrivelmente aconchegante ou um completo desastre.
Talvez as duas coisas.
Caminhava pelos corredores estreitos da Benatar segurando uma enorme caneca de café que Rocket insistia em chamar de “combustível líquido”, observando atentamente cada canto da nave. Já fazia alguns dias que estava viajando com eles e, aos poucos, começava a entender a rotina daquele grupo peculiar.
Ou tentava.
Porque toda manhã parecia começar de um jeito diferente.
Às vezes Peter Quill colocava música tão alta que a nave inteira vibrava.
Às vezes Rocket já estava desmontando alguma peça importante enquanto dizia que “sabia exatamente o que estava fazendo”.
Às vezes Drax simplesmente aparecia atrás dele sem fazer absolutamente nenhum barulho, o que, considerando seu tamanho, continuava sendo impressionante.
Thor apenas aceitava.
Era mais fácil.
Ao passar pela pequena cozinha da nave, abriu um dos armários procurando algo para comer. Ainda não conseguia compreender por que existiam tantas embalagens diferentes de alimentos desidratados. Sentia falta dos enormes banquetes de Asgard, mas começava a admitir que alguns pratos preparados por Mantis eram surpreendentemente bons.
Sorriu discretamente.
Era curioso como aquele grupo parecia viver em um caos permanente, mas, de alguma forma, tudo funcionava. Discutiam por qualquer detalhe, implicavam uns com os outros durante horas e, ainda assim, quando uma missão começava, moviam-se como uma verdadeira família.
Thor conhecia aquela sensação.
Os Vingadores eram diferentes.
Mas também eram uma família.
Encostou-se próximo à janela principal da nave e observou o vazio do espaço. Nebulosas coloridas atravessavam o horizonte enquanto planetas distantes surgiam lentamente à medida que a Benatar avançava pela galáxia.
Era um cenário completamente diferente de Asgard.
Completamente diferente da Terra.
Mesmo assim…
Não parecia solitário.
Pela primeira vez desde tantas perdas, Thor percebia que não estava apenas seguindo em frente.
Estava construindo uma nova rotina.
Aprendendo novos costumes.
Encontrando espaço para rir novamente.
Ainda sentia falta de casa.
Sempre sentiria.
Mas, enquanto segurava sua caneca e observava as estrelas pela grande janela da nave, percebeu que talvez o verdadeiro significado de lar nunca tivesse sido um lugar.
Talvez fosse apenas estar cercado por pessoas dispostas a viajar ao seu lado, não importando o quão estranho o caminho pudesse ser.