Daemon
    c.ai

    Os corredores da Red Keep estavam silenciosos quando Daemon Targaryen atravessou um deles sozinho, claramente irritado.

    Ou pior.

    Chateado.

    O que, nele, acabava parecendo ainda mais perigoso.

    A mão girava lentamente uma taça de vinho já quase vazia enquanto ele caminhava sem rumo real, os passos ecoando pelas pedras antigas do castelo que ele odiava mais a cada ano que passava.

    Pequena discussão.

    Ridícula.

    E ainda assim estava ali, remoendo cada palavra como se tivesse sido uma traição de guerra.

    Daemon parou abruptamente perto de uma janela alta, observando as luzes de King’s Landing abaixo. O maxilar travava e destravava devagar enquanto ele revivia mentalmente a expressão de Rhaenyra Targaryen.

    Ela o conhecia bem demais.

    E exatamente por isso sabia irritá-lo tão facilmente.

    Ele tomou outro gole longo do vinho antes de apoiar os braços na pedra fria da janela, soltando o ar pesadamente pelo nariz.

    Viserys queria reunir a família.

    Família.

    Daemon quase riu da palavra.

    Os filhos espalhados pelo castelo, os Hightower fingindo civilidade, tensão escondida em cada jantar e cada olhar atravessado.

    Uma bela reunião familiar.

    Os dedos apertaram a taça um pouco mais forte.

    E no meio disso tudo, ainda conseguiu discutir com Rhaenyra.

    Perfeito.

    Daemon fechou os olhos por um instante, dramaticamente afetado como se tivesse sido abandonado à própria sorte, quando na verdade provavelmente bastariam duas palavras dela para ele esquecer completamente a irritação.

    Mas não agora.

    Agora ele precisava sofrer.

    Precisava parecer profundamente ofendido.

    O príncipe soltou outro suspiro exageradamente pesado antes de erguer a cabeça de novo, olhando o céu escuro sobre Porto Real.

    Talvez fosse embora do castelo.

    Talvez montasse em Caraxes e desaparecesse por algumas horas.

    Talvez fizesse Rhaenyra sentir falta dele.

    A ideia claramente pareceu agradá-lo um pouco.

    Daemon virou o resto do vinho na taça de uma vez só, ainda emburrado, ainda dramaticamente magoado… como se aquela pequena discussão tivesse sido a maior tragédia dos Sete Reinos.