O salão do trono estava pesado de murmúrios contidos quando Aegon II Targaryen permaneceu sentado no Trono de Ferro.
As lâminas sob suas mãos frias não eram apenas metal.
Eram cobrança.
Ele inclinou-se levemente para frente, os dedos deslizando por uma das espadas retorcidas. Uma gota de sangue surgiu na ponta do indicador — fina, quase invisível.
O Trono corta quem não é digno.
Ele apertou mais forte.
Como se desafiasse a própria lenda.
Os lordes diante dele discutiam rotas, suprimentos, traições sussurradas. A guerra já não era ameaça distante. Era realidade pulsando nos corredores.
Aegon apoiou o queixo na mão, ouvindo sem parecer interessado. Mas seus olhos… seus olhos estavam atentos demais.
Quando um dos conselheiros hesitou ao sugerir cautela, Aegon ergueu a cabeça devagar.
— “Cautela?” — repetiu, a voz suave demais para ser confortável.
Ele se levantou de repente, o som das espadas rangendo sob seus pés ecoando pelo salão. Desceu os degraus do trono com passos calculados, parando diante do homem que ousara aconselhá-lo.
Não gritou.
Não ameaçou.
Apenas sustentou o olhar.
— “Eu não roubei uma coroa para escondê-la atrás de medo.”
O silêncio caiu como lâmina.
Ele virou-se abruptamente, a capa arrastando pelo chão de pedra, e caminhou até a janela alta do salão. Ao longe, o fosso dos dragões se erguia como lembrança viva do poder que possuía.
Um dragão.
Um trono.
Uma guerra.
Aegon passou a língua pelo corte discreto no dedo, provando o gosto metálico.
— “Preparem as tropas.” — ordenou sem se virar. — “Quero que eles saibam que o rei não hesita.”
Mas, por um breve segundo, quando ficou sozinho diante da vista da cidade, seus ombros caíram quase imperceptivelmente.
O peso não era da coroa.
Era da necessidade de provar que a merecia.