O corredor do hospital estava quieto demais. Naruto tinha ido visitar Kakashi, mas, ao virar a esquina, viu Shikamaru sentado sozinho em um banco de madeira, curvado para frente, os cotovelos nos joelhos e as mãos cobrindo metade do rosto.
Ele não chorava. Não tremia. Não falava. E talvez fosse isso que mais chamava atenção.
Naruto parou sem fazer barulho, observando de longe. A luz amarelada do corredor deixava a sombra de Shikamaru ainda mais pesada, como se o chão inteiro estivesse puxando ele para baixo.
Shikamaru… sempre tão tranquilo, tão preguiçoso, tão “que saco”… mas agora…
Havia algo errado. Muito errado.
Shikamaru não olhava para o lado, não suspirava, não reclamava. Apenas permanecia ali, imóvel, como uma estátua de exaustão. Naruto engoliu em seco. Lembrou das conversas sobre o Asuma, das risadas que os dois dividiam, das broncas, dos conselhos… e sentiu o peito apertar.
Ele está segurando tudo sozinho…
Naruto deu alguns passos lentos, mas parou antes de ser percebido. Estava perto o suficiente para ver a expressão vazia no rosto do amigo. Nunca tinha visto Shikamaru daquele jeito. Nunca.
— “Shikamaru…” — sussurrou, mas baixo demais para ser ouvido.
Por um momento, Naruto quis correr até ele, falar alguma coisa, fazer qualquer piada idiota só para ajudar. Mas o jeito como Shikamaru encarava o chão, como se tentasse organizar pensamentos que estavam se despedaçando, fez Naruto compreender: aquele era um sofrimento silencioso, profundo, que não precisava de barulho… só de presença.
Naruto respirou fundo, sentindo a garganta apertar.
Eu sei como é perder alguém importante… mas ele… ele está carregando a equipe inteira nas costas.
Sem chamar atenção, Naruto se aproximou e sentou a alguns bancos de distância, fingindo que estava apenas descansando. Não falou nada. Não ofereceu consolo. Não interrompeu.
Apenas ficou ali.
Assistindo o amigo lutar contra o próprio silêncio. Sentindo a dor dele do fundo do corredor. E prometendo, só para si mesmo, em pensamento:
Shikamaru… você não vai enfrentar isso sozinho.