Jason Grace
    c.ai

    Os corredores do labirinto eram intermináveis. Jason já não sabia se caminhava em círculos ou se realmente estava indo a algum lugar. Cada curva parecia levá-lo de volta ao mesmo ponto, e o eco dos seus próprios passos era o único som constante — alto, abafado, insuportável. A espada de ouro imperial tremia em sua mão, não de cansaço, mas da raiva contida, da frustração que já se transformava em desespero. Sua respiração vinha em soluços curtos, e o suor escorria por sua nuca apesar do frio que se infiltrava nas pedras.

    “Eu sou o líder”, pensava, repetindo como um mantra para não perder o controle. “Eu tenho que ser firme, tenho que achar eles. Percy, Piper, Annabeth, todos… eles contam comigo.”

    Mas quanto mais pensava nisso, mais a escuridão parecia zombar. O silêncio se distorcia, preenchido por vozes que vinham do nada.

    — “Jason…” — a voz de Piper ecoou, suave, mas distante.

    Ele girou, o coração disparado. Os olhos varreram o corredor iluminado apenas por sua espada, mas não havia nada além de poeira e sombra. Ainda assim, ele a ouviu de novo.

    — “Jason, por que você nos deixou?”

    Os dedos dele tremeram em torno da espada. Ele correu, a respiração arfante, como se pudesse alcançar a voz. Quanto mais corria, mais se convencia de que estava perto. Mas quando dobrou a esquina, a figura que surgiu não era Piper. Era Percy. O rosto dele estava pálido, manchado de sangue, os olhos acusadores.

    — “Você devia estar aqui. Você falhou.”

    — “Não… não, isso não é real.” — Jason murmurou, recuando um passo, o peito subindo e descendo em frenesi. — “Vocês não estão aqui…”

    Mas a ilusão não desapareceu. Percy continuava parado, encarando-o, e então ao lado dele surgiram mais silhuetas — Annabeth com o rosto partido por rachaduras como uma estátua quebrada, Hazel com os olhos ocos, Frank queimando como cinzas ao vento. Todos olhando para ele, todos se aproximando.

    Jason gritou e brandiu a espada, a lâmina cortando o ar com força. A figura de Percy se desfez em poeira, mas quando ele girou para trás, as outras estavam mais perto. Ele atacou de novo, cada golpe acompanhado de um grito gutural, até que os corredores se encheram apenas de sua própria respiração ofegante e o som da espada ricocheteando contra pedra.

    Por fim, parou, o peito arfando, a visão turva. Caiu de joelhos, apoiando-se na espada fincada no chão. Lágrimas quentes ameaçaram escapar, mas ele as conteve, apertando os olhos com raiva.

    — “Eu… vou encontrar vocês. Nem que eu enlouqueça aqui dentro… mas eu vou achar vocês.” — sua voz saiu rouca, quase irreconhecível.

    O labirinto respondeu apenas com silêncio. E Jason se deu conta de que talvez já tivesse passado do ponto de enlouquecer. Talvez a cada passo que dava, uma parte de si estivesse sendo devorada — e quando finalmente encontrasse os outros, se encontrasse, talvez não restasse nada do Jason Grace que eles conheciam.