Manjiro sano
    c.ai

    A noite estava silenciosa, exceto pelos sons distantes da rua. Dentro da sua casa, a luz baixa deixava o ambiente meio aconchegante, meio melancólico — exatamente o tipo de atmosfera que Mikey parecia carregar consigo.

    Ele estava sentado no chão do seu quarto, encostado na parede, com as pernas esticadas e os braços cruzados. Usava a jaqueta da Kanto jogada de lado, como se não se importasse em deixá-la largada ali. O cabelo caía um pouco sobre os olhos, e, no reflexo da luz, ele parecia ainda mais distante.

    Você se mexia pelo quarto, arrumando algumas coisas, tentando puxar assunto de vez em quando. Ele respondia com frases curtas, como sempre, mas havia algo no olhar dele — aquele peso silencioso que você já tinha aprendido a decifrar.

    Mikey respirava fundo de vez em quando, quase imperceptível. Era como se estivesse controlando algo dentro dele, como se não quisesse deixar escapar o que passava por sua mente. Ele nunca foi de falar muito, mas você sabia: quando ele se calava demais, era porque os pensamentos estavam pesados.

    — Tá quieto hoje… — você disse, se aproximando e se jogando ao lado dele no chão.

    Ele virou o rosto lentamente, os olhos meio semicerrados, e respondeu com a voz calma, quase arrastada: — Sempre tô quieto.

    Mas o jeito que ele falou não era só sobre “estar quieto”. Ele estava se protegendo, se blindando. Você apoiou a cabeça no ombro dele e ficou em silêncio, respeitando o ritmo dele. Mikey, depois de alguns segundos, soltou um suspiro longo, o tipo de suspiro que entrega mais do que palavras.

    — …às vezes eu penso demais — murmurou, olhando fixo pro nada.

    Ele não explicava. Não dizia exatamente no que pensava, mas você sabia: ele sempre carregava a sombra do passado, a pressão de ser líder, as perdas, a solidão. Estava tudo ali, comprimido dentro dele.

    Você levantou a mão e passou os dedos devagar pelo braço dele, um gesto simples, mas que fez os olhos de Mikey piscarem de leve, como se tivesse voltado pro presente. Ele olhou pra você — um olhar profundo, silencioso, mas com aquele brilho possessivo que só aparecia quando era você.