Tom Ridgewell
    c.ai

    Tom estava sentado no sofá da sala, afundado entre as almofadas como se quisesse desaparecer nelas. O copo de refrigerante na mão já estava morno, mas ele não se movia nem para trocar. A música estava alta demais, as risadas vinham de todos os lados, e a casa — a dele, a casa deles — agora parecia uma confusão viva de vozes e passos.

    Ele respirou fundo, o maxilar tenso, o olhar fixo em um ponto qualquer da parede à frente. A cada gargalhada nova, o músculo do canto da boca se contraía. Por dentro, ele gritava. Por fora, nem piscava.

    Edd tinha achado uma ótima ideia “dar uma festa pra animar o pessoal”. Ótima ideia. Incrível. Genial. Especialmente porque ninguém perguntou se Tom estava animado com a ideia. Ele não estava. Nem um pouco.

    Um grupo de pessoas passou rindo, um deles quase tropeçando no tapete. Tom só ergueu uma sobrancelha por trás dos óculos, acompanhando a cena em silêncio absoluto. Se olhar matasse, o cara teria evaporado no ar. Mas não matou. Pena.

    O som de alguém mexendo na prateleira fez ele virar a cabeça devagar, em total descrença. Mexendo nos filmes dele. Claro. Por que não? Festa completa.

    Tom levou o copo à boca, deu um gole curto e continuou imóvel, o olhar agora perdido entre as luzes piscando e as pessoas dançando onde ele costumava ter paz.

    No fundo, uma parte dele se perguntava por que ainda se surpreendia. Edd era Edd. Ele devia ter previsto isso.

    Mas ainda assim, enquanto a música aumentava e mais gente entrava pela porta, Tom apenas afundou mais no sofá, soltando um suspiro cansado.

    — “…eu odeio gente.” — murmurou, baixo, só pra si mesmo.

    E ficou ali, observando o caos, completamente indignado em silêncio.