A Batcaverna estava em silêncio — o tipo de silêncio que só existia entre o som distante das máquinas e o bater ritmado da chuva contra a rocha. Bruce Wayne permanecia diante do enorme monitor central, a luz azulada refletindo nos contornos da máscara. Nos telões, arquivos piscavam: Lanterna Verde — Hal Jordan. Registros, relatórios da Tropa, sinais de energia fora do padrão.
Ele já vinha desconfiando. Não era paranoia — nunca era. Hal estava estranho havia semanas. Comunicava-se pouco, evitava contato com a Liga, e quando falava… havia algo diferente no olhar. Um vazio que Bruce reconhecia — o tipo que consome um homem por dentro antes que ele perceba.
O sistema da Batcaverna terminou a análise. A voz robótica de Alfred II, o assistente digital, ecoou suave:
“Anomalia detectada. Energia do anel excede limites conhecidos em 213%. Atividade emocional incompatível com portador humano.”
Bruce apertou os lábios. As linhas de energia do setor 2814 formavam um mapa de destruição discreta — planetas isolados, civilizações apagadas de registros. Ele viu os padrões. Sempre via.
Ele ampliou um dos arquivos visuais. Hal Jordan, em pleno espaço, com a luz do anel emanando uma tonalidade esverdeada demais, quase doentia. Os olhos — sem pupilas, apenas o brilho frio de alguém que tinha deixado de ser somente humano.
Bruce encostou as mãos na mesa, o punho firme. — “Você fez o que, Hal?” — sussurrou, o tom baixo, grave. Não havia raiva ali. Havia… decepção.
Na parede, a sombra do morcego se projetava sobre o mapa estelar. Era o símbolo do controle, da razão sobre o caos — e agora o caos tinha um rosto familiar.
O relatório final piscou em vermelho:
Missão de contenção sugerida. Ameaça nível cósmico.
Bruce ficou parado por um longo tempo. Nenhum movimento, nenhum som — apenas o brilho do monitor refletindo no olhar tenso por baixo do capuz.
Ele respirou fundo, acionou o comunicador da Liga e falou em voz baixa: — “Aqui é o Batman. Precisamos falar sobre o Lanterna Verde.”
E pela primeira vez em muito tempo, até ele — o homem que se preparava para tudo — sentiu o peso de não estar pronto para o que viria.