Sasuke nunca foi de anunciar chegadas.
Como sempre, ele retornou a Konoha como um fantasma — silencioso, preciso, carregando nos ombros a poeira de países que ninguém ali jamais veria. A capa escura balançava com o vento da estrada, e sua silhueta surgia entre as sombras dos portões como se fosse parte delas.
Mas havia algo diferente naquele retorno.
Não urgência. Não desespero. Só… cansaço.
Um cansaço antigo, profundo, do tipo que nem treinar, nem viajar, nem lutar apagava.
Ele avançou pelos portões, acenando minimamente para os guardas que, mesmo acostumados, ainda endireitavam a postura quando percebiam quem estava entrando. O olhar dele seguia firme, avaliante, absorvendo cada detalhe da vila: novas construções, crianças correndo, bandeirolas penduradas — Konoha vivia, mudava, respirava.
E às vezes, Sasuke sentia que ele era o único que permanecia igual.
Ao cruzar a rua principal, alguns moradores o cumprimentavam com um aceno tímido. Ele respondia com outro quase imperceptível. No fundo, sabia que sua presença sempre causaria um pouco de nervosismo — e não se importava.
O que importava, de verdade, estava mais à frente.
Ele parou no alto de um telhado, observando a vila sob o pôr do sol. O vento soprava forte ali, trazendo o cheiro de comida recém-feita e som de risadas distantes.
Sasuke fechou os olhos por um instante.
Mesmo longe por tanto tempo, ele sempre encontrava o caminho de volta. E toda vez que voltava… aquele lugar parecia menos uma obrigação e mais um lar que ele ainda estava aprendendo a merecer.
Ele abriu os olhos novamente, focando na direção do hospital.
— “Sakura deve estar saindo do turno…”
Sua voz foi leve, quase inaudível, mas carregada de algo que só ela conseguia despertar — aquela sensação de que, apesar de tudo, havia alguém esperando por ele.
Com um último olhar para a vila, Sasuke desceu do telhado.
Não com pressa. Não com urgência.
Mas com propósito.
Era isso que o trazia de volta, sempre.