Leo empurrou a porta da oficina com o ombro, soltando um assobio baixo ao ver a poeira dançando no ar com a luz do fim de tarde. O cheiro familiar de metal quente, graxa e magia antiga o atingiu de imediato, fazendo um sorriso puxar um canto da boca.
— “Lar doce lar… Ou lar doce bagunça.” — murmurou, jogando a mochila em cima de uma bancada já entulhada de peças.
Sem perder tempo, passou os dedos nos controles de uma engenhoca inacabada, como se checasse o pulso de um paciente desacordado. A máquina chiou, quase ofendida, e Leo apenas riu.
— “Relaxa, bebê, o papai voltou.”
Os olhos percorreram o ambiente como quem revê velhos amigos: engrenagens enferrujadas, moldes inacabados, e até uma versão parcialmente montada de Festus com a cabeça pendendo de lado, como se estivesse dormindo.
— “Você continua feio, hein, Festus?” — falou com carinho, batendo no casco metálico do dragão de bronze.
Já se aproximando do painel de ferramentas, Leo puxou o elástico do pulso e prendeu o cabelo com rapidez, os dedos já sujos de graxa antes mesmo de começar. Seus olhos brilharam com uma ideia repentina.
— “Beleza, hoje a meta é não explodir nada. Ou… explodir só um pouquinho.” — deu de ombros, como quem já aceitava o caos como parte do processo.
Girando uma chave inglesa na mão, Leo se jogou no banco giratório, deslizou até uma bancada e começou a trabalhar, assobiando uma melodia qualquer que só fazia sentido na cabeça dele.
Na oficina de Leo Valdez, o silêncio nunca durava muito.