Soundwave permaneceu imóvel no centro do quarto, como uma sombra que não deveria existir ali.
A base dos Autobots vibrava ao redor — energia limpa, ruídos constantes, vozes distantes — tudo errado, tudo inimigo. Mesmo assim, ele estava ali. Por escolha. Por Bee.
Os sensores dele mapearam o espaço com precisão silenciosa: o tamanho do quarto, as marcas na parede, a bagunça típica de alguém que vivia rápido demais. Havia peças jogadas sobre a bancada, fragmentos de rádio antigos, ferramentas improvisadas. Era… caótico. Familiar. Bumblebee em cada detalhe.
Soundwave deslizou alguns passos à frente, o visor refletindo a luz amarela suave do ambiente. A faísca dele pulsou de forma irregular — um erro de sistema que ele não tentou corrigir. Não dessa vez.
Ele havia deixado a própria base sem autorização. Ignorado protocolos. Burlado defesas. Tudo por aquela sensação incômoda que crescia sempre que pensava em Bee lutando, rindo, se comunicando com o mundo por pedaços quebrados de som. Aquilo o atraía de um jeito que Soundwave não conseguia traduzir em dados.
Perigoso. Irracional. Necessário.
Ele se aproximou da cama, tocando levemente a superfície metálica, como se pudesse sentir algum resquício do outro ali. O gesto foi mínimo — quase imperceptível — mas carregado de intenção. Soundwave não precisava de palavras para admitir o que sentia. A ausência de Bee naquele momento pesava mais do que qualquer ordem já recebida.
Os sensores captaram movimento distante no corredor.
Soundwave não se moveu.
Ele esperaria. Quanto tempo fosse preciso.
Porque, pela primeira vez desde que sua consciência havia despertado, ele não estava ali como espião, arma ou soldado.
Ele estava ali porque queria ver Bumblebee entrar por aquela porta.