Damian estava sentado na ponta da cama, as mãos cruzadas sobre o joelho, o olhar fixo no nada. A mansão parecia diferente desde que Selina começara a morar ali. Mais barulhenta, talvez… ou apenas mais viva. Ele ainda não tinha decidido se isso o irritava ou não.
O gato dela — um preto enorme e preguiçoso — passava o tempo inteiro dormindo em lugares onde ele costumava treinar. Agora mesmo, estava deitado no tatame da sala de meditação. Ele já havia tentado espantá-lo duas vezes, mas o bicho apenas o olhara com aquele desdém felino que o deixava ainda mais frustrado.
Damian suspirou. Bruce estava feliz. Isso era óbvio, e o garoto não era cego. Mas ver o pai sorrir mais não tornava o processo de aceitar Selina mais fácil. Ele não odiava ela — não mais. Só não sabia onde ela se encaixava naquele universo controlado e cheio de regras que ele e Bruce haviam construído.
Levou a mão ao capuz do uniforme, largado sobre a escrivaninha. Os dedos pararam sobre o tecido, distraídos, antes de puxar o capuz para o colo. Aquele era o tipo de momento que ele odiava: o silêncio. Quando não havia missões, nem barulho, nem nada para preencher o vazio.
O som de passos vindos do corredor o fez erguer o olhar, atento. Reconheceu o som leve, o ritmo quase felino — era ela. Por um instante, Damian pensou em levantar e fechar a porta, mas desistiu.
Os passos passaram pela frente do quarto e seguiram adiante.
Ele relaxou os ombros, silenciosamente.
Talvez… talvez pudesse se acostumar. Mas só talvez.