Dick Grayson
    c.ai

    Dick Grayson estava sentado na recepção do departamento forense de Central City, uma das pernas balançando no ritmo lento do tique-taque do relógio na parede. O ambiente era iluminado demais, frio demais, e cheirava a café queimado — mas ele já se acostumara com isso nas visitas que fazia ao Wally. Ainda assim, por algum motivo, aquele dia parecia mais longo.

    Vestia o casaco azul escuro por cima da camisa social, o colarinho meio amassado pelo vento da estrada. Na recepção, as pessoas entravam e saíam com pastas, evidências, relatórios — tudo muito metódico, muito “Barry Allen”. Era estranho imaginar o Wally ali dentro, concentrado, sério, sem o sorriso travesso que ele usava pra provocar o mundo.

    Dick ajeitou-se na poltrona, apoiando os cotovelos nos joelhos e olhando em volta. A recepcionista o cumprimentou com um leve aceno; parecia já saber que ele era “o namorado do cientista apressado do laboratório 3”. Ele devolveu o gesto com um meio sorriso simpático, do tipo que dizia “sim, sou eu, o cara que o espera toda semana”.

    No colo, o celular vibrava de tempos em tempos — notificações, mensagens da equipe dos Titãs, alertas que ele decidiu ignorar por uma hora. Só uma hora. Ele merecia isso. Eles mereciam isso.

    Respirou fundo, observando o reflexo da própria imagem no vidro da divisória. Às vezes ele se surpreendia com a ironia de tudo: o menino que cresceu nas sombras de Gotham, agora sentado num prédio público ensolarado, esperando o namorado sair do trabalho. Havia uma estranha paz nisso — e um certo desconforto também. Como se a normalidade o desafiasse mais do que qualquer missão.

    O som de passos apressados o fez erguer o olhar por um instante, o coração reagindo antes da mente. Mas não era Wally. Só outro técnico carregando uma pilha de pastas. Dick suspirou e recostou-se, cruzando os braços.

    — Você tá se atrasando, West… — murmurou, quase rindo sozinho.

    Do lado de fora, o sol atravessava as janelas largas, tingindo o chão com um brilho dourado. Dick fechou os olhos por um momento, deixando a cabeça pender pra trás. Lembrava-se de quantas vezes Wally aparecera suado, ofegante, pedindo desculpas por “mais um caso complicado”. E, no fim, sempre compensava o atraso com um sorriso, uma piada, ou um beijo rápido que fazia o mundo todo desacelerar.

    Ele sorriu sozinho, balançando a cabeça. Não importava quanto tempo demorasse. Dick sabia que, quando Wally atravessasse aquela porta, tudo valeria a pena de novo.